Para a minha neta Mariana no seu quarto aniversário.

Vó, tens uma “supesa”?

Voz carinhosa de curiosidade envolta,

Pergunta inocente de esperança vestida.

Olhos brilhantes, um doce sorriso iluminam.

Gargalhadas sonoras ecoam ternuras.

Falar baixo, missão impossível,

Chamar a atenção é o mais importante.

Caracóis cor de mel num rostinho lindo.

Beijinhos ternurentos num abraço apertado.

Birras inocentes, protestos não contidos,

Choros sonoros de contestação vestidos.

Amor infinito num corpo pequenino,

Doçura tão grande num simples olhar.

Ternura infinita no coração dos avós

Amor incondicional… igual ao dos filhos.

Filha na mesma… por mim não parida.

Pedaço de mim que só posso amar,

Mesmo zangada, mesmo num ralhar.

Ser docinho, que enche a alma,

Alegria dos meus dias e esperança no futuro.

Doce criatura desta que muito te ama.

Marianita da avó, que o futuro te sorria,

Que o amor seja uma constante da tua vida.

Muitos parabéns querida Mariana.

Fortunata Fialho

Feliz dia dos irmãos.

Dia dos irmãos é todos os dias e para mim há alguns anos. Quantos? Não digo pois a idade de uma senhora não se comenta.

Feliz dia mana, espero que daqui a muuuuuitos anos te possa mandar um grande beijinho neste dia.

Se irmã se escolhesse, escolheria-te novamente.

Não tenho forma de te dizer o quanto gosto de ti… talvez daqui a toda a eternidade.

Uma nova poeta no palco nacional: Maria Cravo.

Prefácio

Antes de mais um grande obrigado pela honra da primazia na leitura de uma obra onde a arte da escrita se mistura com a pureza dos sentimentos.

Li e reli, todos os poemas na tentativa de me conseguir limitar na escolha de algumas passagens, de entre tantas, que me deixaram aquele arrepiozinho especial que só quem se encanta com algo pode explicar.

O seu encanto pelo mar e a calma que este lhe proporciona está bem visível nos seus textos. Que bom foi encontrar esta belíssima passagem:

“Abro os olhos e o mar cabe neste olhar.

Aquático, azul, frio, tão perto e distante,

Escorre em mim o sal dele e meu.”

            Novamente me vejo transportada a uma contemplação de um, não sei bem se um nascer ou pôr-do-sol, que se materializa como uma paisagem real:

“O horizonte tem agora a cor de fogo

E o mar flameja a ouro e prata.

Observo e deixo-me levar,

Passando a coragem pelo rosto.”

            Como se fosse minha, senti a dor da ausência que transpareceu nos seguintes versos:

“Que vazio infinito!

Diariamente e Sempre!

Ouço a tua ausência,

Sigo triste o teu olhar.

Dialogo contigo noite dentro,

E depois, vejo-te partir.”

            Com mestria faz transparecer a sensualidade de quem ama placidamente, saboreando cada momento.

“Enlevo-me na leveza dos teus pés,

Na música desenhada no teu corpo,

Na imaterialidade do momento.

Desejo perpetuar tanta beleza!”

            Subitamente senti-me envolta num amor e ternura em que, só quem continua amando quando a loucura da paixão inicial se apaga, tenta fazer de cada momento o rejuvenescer de um amor que deve resistir à passagem do tempo.

“Devagar, aproveitamos todas as migalhas.

Devagar, fruímos todos os instantes.

Devagar, penso em nós,

Sorrindo sempre.

Devagar, renovamos nossos votos.

Devagar, meu amor, devagar,

Porque nós somos eternos.”

            Quando, subitamente, me deparei com:

“Hoje, aqui, me assumi em soma

Do que fui, do que sou, do que ainda não.

E no espelhar da água inteira estou

Na simples conta de adição.”

Fiquei a pensar em tudo o que me fez crescer como pessoa, em tudo o que vivi e ainda viverei e a verdade é que somos a adição de experiências, a multiplicação da espécie, dividimos carinhos e atenção… Só não consegui encontrar a subtração a fazer-me crescer, subtrair é morrer.

            De alma cheia de amor e carinho retrata maravilhosamente o amor que uma mãe tem pelos seus filhos, um amor imenso que nunca se gasta e se multiplica por quantos filhos tenha.

“Ser mãe é ter colo, abraço, beijo.

Meu coração é sempre um berço,

E mesmo que desfeito, pulsará fora do peito.”

“Chegaste num beijo azul de mar!

Trazias ao peito o jeito de amar

E a calma solene da paz indizível.

Abraçaste-te em mim e ficaste.”

            Quando li o poema sobre o reencontro, quem sabe no além, com os entes queridos.

“Chegada a minha hora, entregar-lhe-ei a estrela que me deu

E juntos dormiremos álacres, porque não há mais para dizer.

Depois, alguém cantará uma canção, dirá um verso, uma oração

E essa será a nossa hora, e em esperança esperaremos.”

Uma lágrima deslizou no meu rosto e também desejei esse momento em que nunca mais voltarei a ter saudades daqueles que a morte me roubou.

            Muito mais tinha a dizer mas deixo o prazer de muitas mais descobertas aos leitores.

             Muitos parabéns, Maria Cravo, por esta obra que irá tocar o coração de todos os leitores e sim, pertences aqui como reflete a tua poesia.

Fortunata Fialho

Feliz aniversário filha

Face redondinha emoldurada por uma cabeleira escura.

Enlevo de outros olhinhos escuros que te aguardavam.

Luz que iluminou a vida dos seus pais.

Inocência espelhada n’uns olhinhos ávidos de descobertas,

Zelosa peguei-te ao colo, terna e apaixonada cobri-te de beijos.

A nossa vida ficou mais completa, dois tesouros no nosso ninho.

Nunca o nascer do sol foi tão intenso, nunca o sol brilhou tanto

Irradiando felicidade no rosto dos meus dois filhos.

Vidas por nós concebidas, envoltas em puro carinho,

Enchendo de encanto os nossos corações.

Risos e gargalhadas ecoavam pela casa em traquinas brincadeiras,

Sempre unidos e, mesmos nas pequenas brigas, inseparáveis.

Alegres, os dias passavam e vocês cresciam.

Relembro o teu primeiro choro, o teu primeiro sorriso

Impaciente, não vias a hora de crescer

O tempo continuava a passar lento e teimoso, mas tu sonhavas.

Finalmente o tempo passou, a criança que eras amadureceu

Imaginei o teu futuro, ajudei-te a crescer, apoiei-te.

Longe vão as corridas loucas e as gargalhadas cristalinas

Hoje és uma mulher e talvez um dia venhas a ser mãe.

Ama, luta, sê feliz e nunca te esqueças destes pais que te amam.

Fortunata Fialho

Filho. 💕 Feliz dia dos filhos.

Quando os corpos se entregam o milagre acontece.

Quando o amor é imenso e não cabe em dois corações,

É necessário produzir mais alguns.

Entre beijos e abraços, outro amor em formação

No calor de dois corpos que se enlaçam… unos…

Quando os corpos se multiplicam o amor aumenta.

Um ser pequenino e frágil cresce dentro de nós.

Invisível, só os podemos sentir e acariciar.

O melhor pedaço de nós, um fruto do nosso amor.

Uma relação para toda a vida acontece.

Um primeiro olhar, um primeiro cheiro…um primeiro sorriso,

Uma primeira carícia… um primeiro som…

Um filho é o maior tesouro, o mais rico… o mais belo.

Um pequeno diamante em bruto que se desenvolve e se molda,

Uma joia rara que lapidamos diariamente.

Envolto em lágrimas, suor e muito amor cresce.

Nunca um amor foi tão puro e tão verdadeiro

Nunca um coração foi tão nosso, nunca um amor foi tão imenso.

Um filho é… o maior milagre do mundo.

Fortunata Fialho

O tempo passa e os seus sorrisos sempre me apaixonam.

Alberto Cuddel _ Como fazer amor

Uma obra de uma sensibilidade incrível em que se misturam a ingenuidade de um ser que ama e a luxúria de um ser amante.

A beleza de:

É ai que o amor se sente

No olhar distante de uma criança

Sentada ao colo de uma madrasta

Que a leva à escola, por uma mãe que a deixou!”

E de:

“Num espaço vazio entre os corpos

Cabem todos os medos e segredos

Não memória desse abraço desejado

Cabe toda a solidão e saudade

Cabe a vida, o amor e a simplicidade.”

E no que deixa para o leitor pensar e sonhar:

“Não jures amor

Ama apenas

Em ti, em mim

Esquece tudo

Abandona todo o pudor…”

Uma obra a não perder que nos proporciona capacidade de sentir e ser sentido. Que nos faz pensar o que será afinal o amor se carnal, platónico, simples e sereno ou tórrido e imperativo.

Obrigada amigo poeta por partilhar esta obra que me envolveu de forma a não poder deixar a leitura a meio.

Fortunata Fialho

Soltem as amarras.

Soltem as amarras.

Soltem as amarras, libertem-se das prisões.

Mundo cruel que vos prende sem grades,

Seres frágeis, humilhados… desprovidos de vontade própria.

Quando perderam a vossa razão de lutar?

Como vos convenceram de que nada valem?

Como permitis que vistam vosso corpo de roxo?

O mundo também é vosso e lá fora há um mundo.

A liberdade é um direito de todo o ser humano.

Tu és um ser humano… tens direitos…

Tens deveres também…

Tens o dever de lutar e de te libertar.

Abre as janelas e respira… sente o aroma da liberdade.

Sai, foge sem olhar para trás…

Se, por acaso olhares, que seja para dizer até nunca.

Livra-te da tua prisão… solta as amarras…

Alimenta o teu ego e ri, grita, chora…

Promete que para sempre serás livre,

Promete procurar a felicidade, o amor… a autoestima…

Se te voltarem a tentar encarcerar grita por ajuda,

Luta com todas as armas que puderes…

Promete a ti próprio(a)… liberdade.

Solta-te para sempre das amarras e… vive livre.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

“Simplesmente Histórias…” foi assim o dia do seu lançamento.

Como calculava não consegui dormir nada de jeito. De manhã estava em pânico, até chorei e tudo, como é que me iria aguentar sem nenhuma orientação? Tudo me parecia assustador e impossível de resolver.

O meu sistema nervoso estava a entrar em rotura. Por fim fechei os olhos e pensei:

– Tens de parar, não podes voltar a traz, afinal todos os dias enfrentas diversas plateias e nem por isso te acobardas.

Não podia voltar as costas, tudo estava marcado e a única saída era seguir em frente. Respirei fundo e tentei olhar para o lado positivo. Afinal éramos três e entre nós haveríamos de resolver a situação.

De repente lembrei-me de que precisava de dinheiro trocado e passei, rapidamente pelo banco, e troquei algum.

Com o dinheiro no bolso voltei para casa. Pelo caminho tentei delinear uma estratégia. Já com uma ideia do que deveria ser feito, almocei, tomei um duche calmante e comecei a distribuir trabalho. O meu marido seria o tesoureiro. Ele olhou para mim e nem teve coragem de responder, o meu tom era tão decidido que ele aceitou.

Chegados ao locar juntámo-nos as três e decidimos a ordem das nossas intervenções. Felizmente tivemos a colaboração do Senhor Vereador e, com o coração nas mãos aguardámos pelos convidados. Parecia que ninguém vinha, o tempo passava e a sala quase vazia.

Meu Deus que fiasco!

De repente a sala começou a encher e amigos e familiares continuavam a chegar.

O meu rosto iluminou-se e o lançamento começou.

Discursos emocionados, lágrimas que colhiam as palavras, e corpos crédulos, tudo acabou por correr muito bem.

Entre felicitações, beijos e abraços, foram distribuídos autógrafos e muitos sorrisos. Que bom é termos amigos e uma família que nos acarinhar.

Curioso! A primeira pessoa a surgir foi um completo desconhecido, muito simpático por sinal. Quem diria?

De regresso a casa a tranquilidade voltou e finalmente pude respirar de alívio. Foi um dia em cheio e, neste momento, sinto que valeu a pena.

Estou de rastos mas… valeu a pena.

Fortunata Fialho