Tristeza… Alegria

Tristeza… Alegria…

Tristeza é ver o mundo em chamas.

As vítimas das guerras, as crianças sem brilho no olhar.

Um mundo em escombros, os gritos calados pelo medo.

Pais sem filhos… filhos sem pais.

Dor e mais dor… sangue e mais sangue.

Céus tracejados por bombas.

Corações frios… duros… cruéis…

Desumanidade…

Os velhos abandonados por quem tanto amam.

Crianças sem lares… sem carinho… com fome.

Animais abandonados por quem os devia cuidar.

Tristeza é ver as florestas morrerem.

 Tantas espécies desaparecerem por incúria humana.

Triste é um mundo cego, surdo e impávido.

Um mundo que se auto destrói.

Um mundo que se perde.

Alegria é ver o brilho do sol no riso de uma criança.

O cristalino da água límpida no reflexo do seu olhar.

Alegria é caminhar pela rua sem medos.

Absorver o perfume das flores, encher de verde o olhar.

Abraçar os filhos, incutir-lhes esperanças.

Alegria é amar sem fronteiras… gritar bem alto, amo-te.

Partilhar a vida, sonhos, aventuras e desventuras.

Alegria é fazer amor e explodir em mil fogos-de-artifício.

Alegria é poder chorar nos teus braços,

Secar as lágrimas no teu ombro e sorrir.

Saber que o amor tudo cura e que o nosso é mágico.

Alegria é saber que me esperas… que te espero.

Saber que a tristeza fica lá fora.

Dormir e acordar a teu lado.

Alegria é afagar o teu rosto, beijar os teus lábios,

Aquecer no teu abraço.

Alegria és tu… sou eu… somos eu e tu. 

Fortunata Fialho

E como dança… “Poesia Colorida”

E como dança…

No fundo da minha alma as letras agitam-se… enlaçam-se…

Formam palavras… frases… parágrafos e… soltam-se.

Numa erupção épica explodem e… gritam.

Caem como cinzas doces, esvoaçantes e melódicas, envolvendo-nos.

Os seus gritos, melódicos e ritmados, apelam ao movimento.

Uma letra dança e outras agitam-se, subitamente abraçam-se, tornam-se palavras.

Palavras dançantes em frases melódicas e sentidas… sonhadas.

E dançam. Juntam-se às centenas… milhares e rimam… rodopiam.

Doces poemas… sons de alma… desejos contidos surgem.

Poesias dançantes ao som de sonhos e amores vividos ou… sonhados.

Nesta tela, os seus paços, imprimem e… imortalizam-se.

Que terno bailado! Que doce melodia! Minha poesia.

Penso… sinto… escrevo e as palavras dançam e criam vida.

E como dançam!

A minha poesia é o movimento da minha alma, a dança dos meus sonhos.

Em mim, o sonho toma a forma de palavras e… escrevo.

No espaço em branco as palavras surgem, movem-se e, sim, parecem dançar.

Os sentimentos fluem e, melodicamente, componho.

A dança das palavras que deslizam inebriam-me e eu…

Eu só escrevo a sua coreografia.

Fortunata Fialho

Poesia Colorida.

A cor da minha poesia.

Azul… sem dúvida a minha poesia é azul.

Azul como o céu, azul como o sonho, azul como o mar.

Azul… como o sentimento… como o amor.

Azul como o carinho do teu olhar.

Por vezes vermelha de dor, vermelha… como um vulcão.

De um vermelho tão intenso que cega e… onde me perco.

Vermelha… quando ardemos de paixão.

Hoje… amarela, brilhante, como o sol e os seus raios.

Laranja como esta fruta que me delicia.

Verde como os campos na primavera.

Verde como as frondosas copas das árvores.

Verde como a relva onde nos deitamos lado a lado.

Cor de mel como os teus olhos, profundos… intensos…

Dourada… prateada… como o brilho das estrelas.

Cintilante… esplendor dos nossos céus noturnos.

Cinzenta e negra como a dor de perder alguém.

Cinzenta como a tristeza… como a saudade.

Negra como um coração maldoso… insensível.

Eu quero uma poesia colorida… alegre… intensa.

Quero uma poesia arco-íris…

Decompor a luz branca e… escrever colorido.

Quero uma poesia plena de cor… plena de amor.

Afinal a minha poesia é… de todas as cores.

Fortunata Fialho

Desespero… Coragem…

Desespero… Coragem…

Esta noite sonhei que o meu mundo terminava.

Que tudo em meu redor desaparecia.

Procurava-te e não te encontrava.

No meu corpo sentia um frio glaciar.

Tudo á minha volta se esfumava e esvanecia.

Acordei… o desespero provocou um rio de lágrimas,

Uma torrente interminável… serviu para acalmar a minha dor.

Acordada senti-me perdida e só.

A meu lado uma cama vazia, ainda com o teu calor.

Respirei fundo e procurei-te… apareces-te.

Sem perguntares abraçaste-me… 

Todo o meu desespero acalmou e… sorri.

O pesadelo terminou e o meu mundo voltou.

Não quero voltar a adormecer,

Não quero sair do teu abraço.

Em ti… todo o meu desespero… terminou.

Em ti toda a minha coragem regressou.

Sim amor porque para mim coragem é

Acordar todas as manhãs e enfrentar o mundo.

Enfrentar o dia e dizer… eu sou capaz, vou vencer.

Coragem é não cruzar os braços e lutar pelos seus sonhos.

Levantar a cabeça sempre e… vencer o desânimo.

Limpar as lágrimas e partir para a luta.

Nunca desistir de encontrar o amor ou… amar sem temor.

Coragem é não desistir de melhorar o mundo,

Acreditar que todos podem ser melhores,

Que a maldade não pode vencer,

Que a coragem move montanhas e derruba barreiras.

Coragem… sim coragem é ser alguém…

Enfrentar a maldade… distribuir o bem…

Terminar as guerras… distribuir bondade e amor.

 Coragem é sermos nós próprios… testar os limites.

Sonhar… lutar… vencer… Coragem é… viver.

Com coragem podemos destronar todo o desespero.

Desesperei por pensar que te perdia,

Com coragem acordei e enfrentei o mundo.

Sem desespero e com coragem a vida acontece.

Fortunata Fialho

“Poesia Colorida”

A cor da minha poesia.

Azul… sem dúvida a minha poesia é azul.

Azul como o céu, azul como o sonho, azul como o mar.

Azul… como o sentimento… como o amor.

Azul como o carinho do teu olhar.

Por vezes vermelha de dor, vermelha… como um vulcão.

De um vermelho tão intenso que cega e… onde me perco.

Vermelha… quando ardemos de paixão.

Hoje… amarela, brilhante, como o sol e os seus raios.

Laranja como esta fruta que me delicia.

Verde como os campos na primavera.

Verde como as frondosas copas das árvores.

Verde como a relva onde nos deitamos lado a lado.

Cor de mel como os teus olhos, profundos… intensos…

Dourada… prateada… como o brilho das estrelas.

Cintilante… esplendor dos nossos céus noturnos.

Cinzenta e negra como a dor de perder alguém.

Cinzenta como a tristeza… como a saudade.

Negra como um coração maldoso… insensível.

Eu quero uma poesia colorida… alegre… intensa.

Quero uma poesia arco-íris…

Decompor a luz branca e… escrever colorido.

Quero uma poesia plena de cor… plena de amor.

Afinal a minha poesia é… de todas as cores.

Fortunata Fialho

Nunca… “Poesia Colorida”

Nunca…

Nunca é muito tempo… a eternidade é uma utopia.

Nada vive para sempre e o nunca é uma promessa vã.

Podem dizer que o nunca é demasiado longo.

Que nunca o nunca aconteça,

Que nunca o mal permaneça.

Que nunca deixemos de sonhar,

Que nunca deixemos de amar.

Que a vida nunca nos separe,

Que o amor nunca desapareça,

Pois eu nunca te quero perder, nunca…

Quero uma vida inteira a teu lado.

Encontrar conforto no teu ombro,

Ver a felicidade no teu olhar.

Partilhar o meu mundo… o teu mundo…

Num ato de êxtase partilhar nossos corpos.

Que ao acordarmos nos olhemos apaixonados. 

Nunca quero acordar sem ti… sem o teu abraço.

Sem o calor de um beijo partilhado.

Nunca direi nunca ao nosso amor,

Nunca acreditarei que este amor morreu.

Nunca quero deixar de sonhar, viver ou sorrir.

Nunca… nunca acreditarei no nunca.

Nunca as lágrimas deslizem pelos rostos,

Nunca a tristeza se torne habitual.

Nunca…

O nunca não existe…

Nunca, é tempo demais… uma utopia.

Fortunata Fialho

“Poesia Colorida”

Prefácio

Antes de mais é uma honra e um privilegio ter sido convidado a ler esta obra em primeira mão, esta obra, em que mais do que pintar a poesia (Poesia Colorida) a autora Fortunata Fialho, professora de sua profissão, nos mostra como pintar a vida, a que vemos e que sentimos. Ler esta obra poética, mais que olhar o mundo pelo olhar do autor, é despir-se de emoções e ideias preconcebidas, é estar aberto a novos olhares, a novas cores, é estar disposto a contemplar a alvura da noite, pelo olhar de um cego. Ler poesia é saber pintar na alma com novos pinceis, outras paisagens.

Pensei varias vezes em seguir um padrão habitual, cronológico, mas como um livro de poesia não deve ser lido, mas ir-se lendo, permiti-me deambular pelas paisagens habilmente pintadas pela autora, e deixar-me surpreender pela beleza, pela analogia, pelas metáforas, e eis que me deparo com um poema que me transporta dali, numa clara associação de pensamentos dou por mim a lembrar São Francisco de Assis, tudo é tao perfeitamente simples quando amamos o que é natural, com a naturalidade de estar grato pelo dom da vida:

“Obrigado ao sol por nascer todos os dias,

Obrigado à noite que me aconchega.

Obrigado ao vento que me acaricia,

Obrigado à água que me refresca.

Ao amor que me completa um obrigado apaixonado,”

Nesta obra a autora além de pintar paisagens como o seu Alentejo, Fortunata Fialho pinta essencialmente sentimentos, estados de alma, pinta as gentes, a dor e a terra:

“Onde cada porta se abre a quem vier por bem.

Terra de brandos costumes e corações imensos,

Onde com abraços, pão e vinho se acolhem as gentes.

Alentejo, terra linda, de gentes tranquilas e amáveis.”

Na sua poética muito centrada na observação do mundo, no sentir que se abre na translucidez da alma onde as cores se misturam com as palavras, onde a outrora faz da alva folha tela de sentires em cores do arco-íris, levando o leitor ao êxtase do sonho, ali diante dele, numa realidade nua, onde os astros me imiscuem no peito:

“Um mundo colorido com laivos de carinho,

Vermelho de luz, amarelo de sol,

Azul como a doçura líquida da água.

Verde como os campos renascidos,

Preto… coberto de estrelas,

Prateado como os reflexos da lua,

Ternurento como as mãos rosadas de uma criança.”

Passamos pelo tempo, com um amigo, este amigo que nos fala, ler um livro de poesia é travar uma íntima discussão connosco mesmos, é um monologo interior segundo a nossa vivencia e conhecimento, e nisso a autora também nos acorda para realidade, chama a nós a vida, os problemas reais que existem ali, bem ali diante de nós, como a discriminação, como a exploração, a violência domestica e suas consequências:

“O povo criticou, hostilizou e disse, “ Desenvergonhadas”

Elas fingiram não ouvir e continuaram.

Os homens assustaram-se e tentaram pará-las.

Então um disse, “ Ganharam o meu respeito”

E a ele outros se juntaram e novamente coabitaram.”

Nesta paleta de cores não conseguimos dissociar a poesia da realidade, dos sentimentos profundos, da arte de sentir, da essência da vida, e nisso a autora quebra tabus linguísticos, escrevendo com todas as cores a arte de amar e do prazer:

“Amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.”

É por tudo isto e por todas as cores que estou grato, que mormente agradeço o enorme privilégio de ter lido e continuar a ler esta obra poética, parabéns Fortunata Fialho, este não é mais um livro de poesia, mas sim uma tela onde com palavras simples pintaste a vida.

Alberto Cuddel

Tempo. “Poesia Colorida”

Tempo

O tempo não tem idade… não sabe onde nasceu.

O tempo é órfão e não sabe.

O tempo é Deus… é saudade…

É Fénix renascendo sempre que se fina.

É imortal… intemporal… eterno.

O tempo tarda… o tempo foge…

Espirito indomável… amante ciumento,

Possessivo, intenso… doce e terno.

Tempo dos amantes… terno e apaixonado,

Tempo dos inocentes… ingénuo e sonhador.

O tempo é criança traquina e apressado.

O tempo é velho… sábio e sensato.

O tempo é meu e não me pertence.

Traidor inclemente passa e não se detém.

Teimoso insensível, nunca volta atrás.

Lento e indolente, teima a tardar,

Rápido foge e não se deixa apanhar.

O tempo não tem tempo… que estranho!

Por vezes corre, outras é tão lento… que raiva!

Quero o meu tempo para te dar tempo,

Para isso preciso do tempo que o tempo não dá.

Tempo (in)justo, (in)clemente, padrasto… pai…

Acalma-te não te apresses, ainda tens muito tempo…

Sossega, descansa… passeia por aqui.

Tempo não me deixes… preciso de ti.

Fortunata Fialho

Tenho pena. “Poesia Colorida”

Tenho pena

Tenho pena pelos erros que cometi mas não os quero apagar.

Foi a acertar mas também a errar que cresci.

Tenho pena das viagens que nunca fiz,

Dos livros que nunca li,

Das trocas de opiniões que nunca disse,

Das gargalhadas que nunca dei.

Tenho pena de ter calado tantas vezes o que sentia,

Podia ter mudado tantas coisas na minha vida.

Não tenho pena do quanto amei, só tenho pena de ter cedido demais.

Não lamento o quanto de mim dei aos meus filhos.

Voltaria a fazê-lo de novo sem olhar para trás.

Só lamento o que deixei de fazer por mim.

Dos sonhos que adiei e nunca confessei, dos desejos que nunca realizei…

Os anos passaram… os filhos cresceram… eu envelheci…

Mas os sonhos, ai os sonhos, nunca desapareceram.

Tenho pena de deixar morrer os meus sonhos,

Vou lutar por eles até as forças se esgotarem…

Ou o tempo… quem sabe?

Deixar de sonhar é… morrer e…

Eu quero viver.

Fortunata Fialho

Penumbra da noite. “Poesia Colorida”

Penumbra da noite

Na penumbra da noite impera o silêncio.

Nas sombras das ruas escondem-se criaturas,

Deambulando sem rumo numa dimensão só sua.

Como retiradas de um sonho, evitam a luz do sol.

Apressados, os humanos, fogem das sombras,

O medo tolda-lhes os sentidos.

A noite, incompreendida, parece aterradora.

Almas, vivas ou não, aproveitam a escuridão.

Amantes, escondidos do mundo, aproveitam a penumbra,

Longe da vista envolvem-se em tórrida luxúria.

Os ruídos intensos, quebram o silêncio.

Na calada da noite, sons irreais provocam o medo.

Escondidos pelos cantos, inebriam os sentidos.

O terror sente-se na pele,

Toques irreais toldam o discernimento.

Portas fecham-se isolando do medo.

Criaturas do dia anseiam por luz,

Temem a noite que não compreendem.

No negrume da noite nada parece real,

O tempo não passa e o medo não cessa.

A penumbra, lentamente, dissipa-se e a coragem volta.

As criaturas da noite enfrentam o sol, e…

Como por magia perdem o seu ar assustador.

Fortunata Fialho