Lembro. "Poesia Colorida"

Lembro

Lembro o tempo em que nos banhávamos juntos,

Em que os nossos corpos se incendiavam rebeldes,

Nos amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.

Fecho os olhos e consigo ver o teu corpo desnudo,

Sinto o suave acariciar das tuas mãos,

O doce calor dos teus lábios percorrendo o meu corpo.

Lembro as entregas totais aos nossos sentidos,

As frases banais cheias de sentido,

As promessas eternas que se esqueceram com o tempo,

Os olhares incendiados, esfomeados… sensuais.

Lembro a sensualidade do teu corpo,

O inebriante cheiro da tua pele,

A intensidade o teu desejo no meu desejo.

Lembro as noites tórridas e os dias apaixonados.

Lembro quando nos deitávamos amuados

E acordávamos abraçados.

Lembro os beijos doces, as carícias marotas,

Os corpos em desejo, a entrega total,

A explosão final e o abraço do repouso.

Fortunata Fialho

Nunca… "Poesia Colorida"

Nunca…

Nunca é muito tempo… a eternidade é uma utopia.

Nada vive para sempre e o nunca é uma promessa vã.

Podem dizer que o nunca é demasiado longo.

Que nunca o nunca aconteça,

Que nunca o mal permaneça.

Que nunca deixemos de sonhar,

Que nunca deixemos de amar.

Que a vida nunca nos separe,

Que o amor nunca desapareça,

Pois eu nunca te quero perder, nunca…

Quero uma vida inteira a teu lado.

Encontrar conforto no teu ombro,

Ver a felicidade no teu olhar.

Partilhar o meu mundo… o teu mundo…

Num ato de êxtase partilhar nossos corpos.

Que ao acordarmos nos olhemos apaixonados. 

Nunca quero acordar sem ti… sem o teu abraço.

Sem o calor de um beijo partilhado.

Nunca direi nunca ao nosso amor,

Nunca acreditarei que este amor morreu.

Nunca quero deixar de sonhar, viver ou sorrir.

Nunca… nunca acreditarei no nunca.

Nunca as lágrimas deslizem pelos rostos,

Nunca a tristeza se torne habitual.

Nunca…

O nunca não existe…

Nunca, é tempo demais… uma utopia.

Fortunata Fialho

Desejos de Ano Novo. "Poesia Colorida"

Desejos de ano novo.

Um novo ano e muitas esperanças velhas.

Toda a hora zero de um novo ano a esperança volta.

Estreamos coisas novas e livramo-nos das tralhas velhas.

Bebemos champanhe e brindamos cheios de esperança.

Todos os dias dois a rotina volta e com ela a realidade.

Uns poucos segundos no ano … tão insuficientes… nada mudam.

Nós queremos sonhos e aparecem envoltos em pesadelos.

Queremos um mundo novo e pouco fazemos para o conseguir.

Que esta ano traga esperança envolta em atitudes,

Mudança envolta em sorrisos, atitudes envoltas em bondade.

Que as pessoas se vistam de compreensão e respeito.

Que as crianças possam ser, para sempre, felizes.

Que os idosos sejam acarinhado… amados.

Que todos tenham um teto e alimento.

Que os campos possam permanecer verdes e…

Que os animais não fujam do fogo.

Que se a madeira arda seja para nos aquecer.

Que o sol brilhe igualmente para todos.

Que nos rostos brilhem as estrelas e nos corações reine o amor.

Sobretudo… que nunca percamos a capacidade de sonhar.

Que para sempre o ano que entra seja melhor que o anterior.

Fortunata Fialho

Fogo de Artifício. "Poesia Colorida"

Fogo-de-artifício.

Meia-noite… não… hora zero do novo ano.

O fogo-de-artifício ecoa e ilumina os céus.

Por todo o lado se formulam desejos ao ritmo das badaladas.

Ao mesmo tempo, exorcizam-se os demónios com ruídos ensurdecedores.

Os céus cobrem-se de lágrimas luminosas,

Choram o ano que termina e iluminam o que nasce.

Gritos e gargalhadas ecoam pelas ruas.

Sob o efeito de champanhe ou espumantes baratos,

A ilusão de que nada pode correr mal sobe.

Ao menos hoje somos todos felizes.

Rompendo o escuro, luzes brilhantes, explodem incansavelmente.

Fogo maravilhosamente efémero explode em mil tons.

Olhos, iluminados brilham e as mentes sonham.

Fogo-de-artifício, fonte de euforia, absorve os nossos sentidos.

Olho o espetáculo luminoso ao longe e desejo…

… desejo um mundo perfeito de paz, amor e carinho.

Desejo que as balas se transformem em foguetes,

Que iluminem o rosto das nossas crianças,

Que façam brilhar eternamente os seus olhos,

Que apaguem… para sempre… toda a tristeza.

E… que a vida seja um eterno fogo-de-artifício.

Fortunata Fialho

Lembro. "Poesia Colorida"

Lembro

Lembro o tempo em que nos banhávamos juntos,

Em que os nossos corpos se incendiavam rebeldes,

Nos amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.

Fecho os olhos e consigo ver o teu corpo desnudo,

Sinto o suave acariciar das tuas mãos,

O doce calor dos teus lábios percorrendo o meu corpo.

Lembro as entregas totais aos nossos sentidos,

As frases banais cheias de sentido,

As promessas eternas que se esqueceram com o tempo,

Os olhares incendiados, esfomeados… sensuais.

Lembro a sensualidade do teu corpo,

O inebriante cheiro da tua pele,

A intensidade o teu desejo no meu desejo.

Lembro as noites tórridas e os dias apaixonados.

Lembro quando nos deitávamos amuados

E acordávamos abraçados.

Lembro os beijos doces, as carícias marotas,

Os corpos em desejo, a entrega total,A explosão final e o abraço do repouso.

Fortunata Fialho

Obrigada filha pelo teu apoio.

Amor… "Poesia Colorida"

Amor…

Amor é vida, luz, sombra, entrega, êxtase…

Amor é compreensão, ternura… aceitação.

Amor é entrega, respeito e carinho.

Amor é paixão, fogo… ternura.

Eu amo, amo sem restrições, amo sem limites.

Amo adormecer e acordar a teu lado,

Amo o brilho dos teus olhos, cada curva do teu corpo,

Cada imperfeição da tua pele, cada ruga do teu rosto.

Amo o sorriso dos nossos filhos,

Vê-los crescer plenos e íntegros.

Amor… é estar contigo, sentir o teu calor, ouvir a tua voz.

Amor é o brilho de felicidade nos olhos de uma criança,

A felicidade dos nossos filhos quando nos acompanham.

Amor é lutar por um futuro melhor.

Amor é rever-nos no brilho do seu olhar.

Amor é amar para libertar.

Amar é derrubar barreiras só para estarmos juntos.

Amor é dormir nos teus braços e acordar ao teu lado.

Amor é ir dormir amuados e acordarmos abraçados.

Amor é aceitar os defeitos,

Amor é apoiar e acarinhar,Amar é… viver.

Fortunata Fialho


E como dança… "Poesia Colorida"

E como dança…

No fundo da minha alma as letras agitam-se… enlaçam-se…

Formam palavras… frases… parágrafos e… soltam-se.

Numa erupção épica explodem e… gritam.

Caem como cinzas doces, esvoaçantes e melódicas, envolvendo-nos.

Os seus gritos, melódicos e ritmados, apelam ao movimento.

Uma letra dança e outras agitam-se, subitamente abraçam-se, tornam-se palavras.

Palavras dançantes em frases melódicas e sentidas… sonhadas.

E dançam. Juntam-se às centenas… milhares e rimam… rodopiam.

Doces poemas… sons de alma… desejos contidos surgem.

Poesias dançantes ao som de sonhos e amores vividos ou… sonhados.

Nesta tela, os seus paços, imprimem e… imortalizam-se.

Que terno bailado! Que doce melodia! Minha poesia.

Penso… sinto… escrevo e as palavras dançam e criam vida.

E como dançam!

A minha poesia é o movimento da minha alma, a dança dos meus sonhos.

Em mim, o sonho toma a forma de palavras e… escrevo.

No espaço em branco as palavras surgem, movem-se e, sim, parecem dançar.

Os sentimentos fluem e, melodicamente, componho.

A dança das palavras que deslizam inebriam-me e eu…

Eu só escrevo a sua coreografia.

Fortunata Fialho

Sempre… "Poesia Colorida"

Sempre…

Sempre que pelo meu rosto rola uma lágrima,

Olho para o horizonte e sonho.

Sonho que sou uma borboleta esvoaçando ao sol.

Uma flor que cresceu livre e vistosa no meio do campo.

Um pássaro livre de gaiolas, esvoaçando e trinando.

O vento que acaricia o teu rosto.

O sol que parece incendiar o teu olhar.

Uma nuvem que brinca com o vento,

Transmutando-se sem hesitar.

Um rio que corre para abraçar o mar…

Sempre que a solidão te machucar… vem.

Um abraço bem forte e um amo-te,

Acariciarão os teus sentidos.

Sempre que por mim chames estarei presente.

Sempre que me quiseres irei.

Sempre que me amares corresponderei.

Sempre que a tristeza te toque serei a tua alegria.

Sempre que as palavras te faltem serei o teu silêncio.

Sempre que o teu corpo gele serei teu agasalho,

Sempre que te desnudes serei a tua pele.

Sempre que precisares estarei aqui.

Para sempre serei tua e tu serás meu.

Fortunata Fialho

Prefácio de "Poesia Colorida"

Prefácio

Antes de mais é uma honra e um privilegio ter sido convidado a ler esta obra em primeira mão, esta obra, em que mais do que pintar a poesia (Poesia Colorida) a autora Fortunata Fialho, professora de sua profissão, nos mostra como pintar a vida, a que vemos e que sentimos. Ler esta obra poética, mais que olhar o mundo pelo olhar do autor, é despir-se de emoções e ideias preconcebidas, é estar aberto a novos olhares, a novas cores, é estar disposto a contemplar a alvura da noite, pelo olhar de um cego. Ler poesia é saber pintar na alma com novos pinceis, outras paisagens.

Pensei varias vezes em seguir um padrão habitual, cronológico, mas como um livro de poesia não deve ser lido, mas ir-se lendo, permiti-me deambular pelas paisagens habilmente pintadas pela autora, e deixar-me surpreender pela beleza, pela analogia, pelas metáforas, e eis que me deparo com um poema que me transporta dali, numa clara associação de pensamentos dou por mim a lembrar São Francisco de Assis, tudo é tao perfeitamente simples quando amamos o que é natural, com a naturalidade de estar grato pelo dom da vida:

“Obrigado ao sol por nascer todos os dias,

Obrigado à noite que me aconchega.

Obrigado ao vento que me acaricia,

Obrigado à água que me refresca.

Ao amor que me completa um obrigado apaixonado,”

Nesta obra a autora além de pintar paisagens como o seu Alentejo, Fortunata Fialho pinta essencialmente sentimentos, estados de alma, pinta as gentes, a dor e a terra:

“Onde cada porta se abre a quem vier por bem.

Terra de brandos costumes e corações imensos,

Onde com abraços, pão e vinho se acolhem as gentes.

Alentejo, terra linda, de gentes tranquilas e amáveis.”

Na sua poética muito centrada na observação do mundo, no sentir que se abre na translucidez da alma onde as cores se misturam com as palavras, onde a outrora faz da alva folha tela de sentires em cores do arco-íris, levando o leitor ao êxtase do sonho, ali diante dele, numa realidade nua, onde os astros me imiscuem no peito:

“Um mundo colorido com laivos de carinho,

Vermelho de luz, amarelo de sol,

Azul como a doçura líquida da água.

Verde como os campos renascidos,

Preto… coberto de estrelas,

Prateado como os reflexos da lua,

Ternurento como as mãos rosadas de uma criança.”

Passamos pelo tempo, com um amigo, este amigo que nos fala, ler um livro de poesia é travar uma íntima discussão connosco mesmos, é um monologo interior segundo a nossa vivencia e conhecimento, e nisso a autora também nos acorda para realidade, chama a nós a vida, os problemas reais que existem ali, bem ali diante de nós, como a discriminação, como a exploração, a violência domestica e suas consequências:

“O povo criticou, hostilizou e disse, “ Desenvergonhadas”

Elas fingiram não ouvir e continuaram.

Os homens assustaram-se e tentaram pará-las.

Então um disse, “ Ganharam o meu respeito”

E a ele outros se juntaram e novamente coabitaram.”

Nesta paleta de cores não conseguimos dissociar a poesia da realidade, dos sentimentos profundos, da arte de sentir, da essência da vida, e nisso a autora quebra tabus linguísticos, escrevendo com todas as cores a arte de amar e do prazer:

“Amávamos fisicamente sem tabus.

Lembro todos os suores lavados das nossas peles,

De todos os orgasmos partilhados,

Das palavras abafadas pelo som da água corrente.”

É por tudo isto e por todas as cores que estou grato, que mormente agradeço o enorme privilégio de ter lido e continuar a ler esta obra poética, parabéns Fortunata Fialho, este não é mais um livro de poesia, mas sim uma tela onde com palavras simples pintaste a vida.

Alberto Cuddel

Penso. “Poesia Colorida”

Penso

Penso num mundo florido, num mundo colorido,

Num mundo amor.

Num mundo onde a monocromia é triste… monótona.

Num mundo onde a cor se quer diversa.

Como as flores silvestres revestem os campos,

Cores diversas enfeitam aldeias, vilas… cidades.

Cor… muita cor… viva o colorido!

Preto, branco, amarelo, vermelho…

Que bem que ficam juntos!

Misturemo-las todas… diversifiquemos o colorido.

Castanho, dourado, amarelo-torrado…

Pintam as ruas e plantam sorrisos nos rostos.

Que cores tão unidas… que felicidade tamanha…

Unidas desfilam em suave harmonia.

De mãos dadas são flores deste jardim.

Coloridas, perfumadas, unidas…

Deliciam o coração e acariciam a alma.

Que mundo tão belo!

Um mundo colorido com laivos de carinho,

Vermelho de luz, amarelo de sol,

Azul como a doçura liquida da água.

Verde como os campos renascidos,

Preto… coberto de estrelas,

Prateado como os reflexos da lua,

Ternurento como as mãos rosadas de uma criança.

Que mundo tão justo,

Um mundo amor.

Fortunata Fialho