Uma lágrima

Uma lágrima

Uma pequena gota de água salgada nascida do sentir,

Uma fuga de emoções impossíveis de conter,

Uma limpeza da alma, um renascer contínuo.

Quando a alegria não cabe no coração transborda em lágrimas,

Quando a tristeza nos mata por dentro

 Corre como um rio salgado que desliza pelo rosto.

Uma lagrima é um bem precioso que brota dos olhos.

Transporta histórias de carinho, e amor,

Descreve memórias perdidas no tempo,

Encantos e desencantos de uma vida… de muitas vidas.

Uma pequena gota com brilho de diamantes,

Pequeno tesouro em fuga de um peito dorido

Ou de um coração transbordante de felicidade.

Com lágrimas de dor e felicidade se traz ao mundo um filho,

Com lágrimas de dor se perde um ente querido.

Lágrimas são companheiras de vida.

Com elas enfrentamos o futuro e recordamos o passado.

Uma vida sem lágrimas não é vida

É um simples passar de dias sem sentimento.

Quem sente adora as suas lágrimas, não sabe viver sem elas.

Vive e chora, ama e chora, ri e chora,

Contempla e chora… vive chorando e sentindo.

Amo as minhas lágrimas. Algumas são de tristeza mas, a maioria são de felicidade.

Fortunata Fialho

Gaveta Fechada

Gaveta fechada.

Num poeirento sótão uma velha escrivaninha foi abandonada.

Uma das suas gavetas estava cuidadosamente fechada.

Bem no fundo de uma outra, escondida num cantinho, uma chave.

A chave servia e… curiosa a gaveta resolveu abrir.

Delicadamente envoltas em cetim e um laçarote de fita colorida,

Umas cartas, amarelecidas pelo tempo, repousavam.

Delicadamente o laço desfez e o cetim retirou.

Com mil cuidados as cartas foram-se abrindo.

Falavam dos tempos que já lá vão, de amores antigos,

De desejos contidos pelos preconceitos antigos.

Transportavam beijos enviados às escondidas,

Carícias prometidas em tempos de guerra.

Confessavam medos da morte, de mutilações atrozes,

De matar quem nunca lhe causou dano…

Prometiam prazer e amor eterno no fim da guerra.

Subitamente, um telegrama. Morto em combate.

Enrugado por mil lágrimas, amachucado pelo desespero.

Mais cartas lhe sucediam mas… nunca enviadas.

De si emanavam saudade, dor, desespero… mágoa.

Em cada uma moravam pétalas de saudades roxas

Secas pelo tempo e banhadas em lágrimas

Manchavam o papel de roxo saudade.

Quem as escreveu? Quem as leu?

Um homem e uma mulher como tantos outros

Vítimas da guerra e ambição dos homens.

Fortunata Fialho

E se…

E se…

E se o mundo fosse um sonho sonhado por uma criança?

Todos os dias mudava conforme o seu desejo.

Num dia teria Dragões e Ogres em luta eterna,

Noutro, princesas e príncipes em cavalos alados.

Por vezes campos floridos repletos de fadas,

Outras, palco de guerras intergalácticas

Onde a humanidade sempre acaba vencendo.

E se nesta vida não existissem guerras?

Ninguém lucraria com armas nem intrigas,

Não haveria raças, todos seriam iguais.

Não existiriam credos nem deuses, todos acreditariam na bondade.

Todos dariam as mãos numa partilha constante.

E se não existisse poluição?

Os rios e os mares só transportaram vida,

As águas permaneceriam cristalinas e puras,

Os campos seriam para sempre verdejantes e coloridos de mil cores.

Os animais não adoeceram nem se extinguiram,

Os insetos não picariam, as borboletas seriam ainda mais belas,

Os pássaros treinaram em sinfonia, cobertos de penas coloridas.

E se… todos quisessem… o mundo seria um lugar bem melhor.

Fortunata Fialho

Surpresa.

Surpresa.

Surpresa… iniciou-se uma vida!

Um choro pertinente de quem se surpreende com a mudança!

Chora saudosamente um mundo perdido,

Chora de medo do novo mundo desconhecido.

Cada dia que passa o mundo cresce sobe o seu olhar,

Aprende a falar para poder aprender e questionar,

Aprende a gatinhar para o mundo alcançar.

Caminha para poder correr em busca de novidades.

Envolve-o um mundo de surpresas e desafios.

Surpreendentemente a criança está a tornar-se adulta,

De surpresa em surpresa o mundo conquista.

O mundo está a ficar tão pequeno!

Surpreendentemente descobre o universo!

Sonha em viajar pelo cosmos e ir além das estrelas.

Investe nos estudos e inventa naves para ir além da atmosfera.

Surpreende-se por não conseguir viajar… deixou o tempo passar.

A vida surpreendeu-o correndo depressa demais

E… em jeito de surpresa… surgiu a morte.

Os seus sonhos ficaram e… alguém um dia os irá concretizar.

Surpresa… toda a vida é uma eterna surpresa.

Fortunata Fialho

Á beira do mar.

Á beira do mar.

Passeando á beira do mar, no fim da terra seca,

O rebentar das ondas provoca uma explosão de sonhos.

Pontapeio a realidade e dos meus pés soltam-se pássaros encantados.

Em voo silencioso levam mensagens de um tempo mágico.

Das suas penas soltam-se suspiros e risos de felicidade.

Os seus trinados são poemas de amor e paz.

Pela imensidão da areia molhada, nascem jardins encantados.

Cidades encantadas plenas de seres coloridos

Nadando por entre corais e florestas de algas.

Das profundezas ecoam belas melodias.

Uma orquestra de baleias ensaiam doces melodias.

Pontapeando as ondas solto diamantes

Brilham como mil estrelas, enfeitando o negro da noite.

Fecho os olhos e sonho com sereias,

Habitantes da Atlântica que ressurgiram no tempo.

Sentada na areia, viajo por terras longínquas,

Vivo romances inesquecíveis, danço nos mais belos salões,

Componho as mais impressionantes sinfonias,

 Distribuo felicidade e paz por todo o mundo.

O sol acaricia o meu corpo e os olhos abrem-se.

O dia nasceu e eu estou acordada.

O sonho, ai o sonho esse nem o brilho do sol apaga.

Fortunata Fialho