Espero

Neste local em que fomos felizes eu espero.

Espero que o tempo volte atrás e que venhas.

Que tragas nos lábios um sorriso sincero,

Nos olhos o brilho das estrelas,

No coração um amor puro e verdadeiro.

Quero esquecer que me deixaste por outro alguém,

As palavras que me feriram como punhais,

A tua frieza perante o meu desespero.

Disse que iria esquecer-te e outro amor encontrar.

Mentira, todos os dias fico neste banco

Deixando as horas passar aguardando.

Tentando ver-te surgir com pressa no andar,

De braços abertos para me envolverem

Num abraço promessa de amor.

O tempo passa o sol esconde-se e tu não bens.

Os dias sucedem-se e as noites são longas,

O coração sangra mas a maldita esperança não morre.

Hoje não vou voltar, hoje vou de volta,

Talvez assim o esquecimento aconteça.

Hoje não vou… talvez assim te esqueça.   

Fortunata Fialho

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Banho de sol

Banho de sol.

Hoje a preguiça tomou conta de mim.

Não me apetece trabalhar e vou apanhar sol.

Resolvi dar um passeio no jardim.

O aroma das flores é inebriante,

 Os pássaros trinam como nunca.

Paro e deixo-me envolver por todo aquele encanto.

Um banco do jardim convida-me e eu aceito.

Sento-me, fecho os olhos e isolo-me.

Tudo aquilo que ouço e sinto é só meu,

As aves cantam para mim e as flores perfumam o meu ar.

O sol acaricia o meu corpo e brilha só para mim.

Recosto-me no banco, adormeço e sonho.

Sonho que estou completamente só,

Que nada me pode perturbar e sorriu…

Não me apetece acordar e… fico.

Uma mão agita o meu corpo e uma voz soa.

Irreal e assustada diz: Sente-se  bem?

Sim sinto, obrigada… só não queria acordar…

Fortunata Fialho

Banco de jardim.

Banco de jardim

Neste banco de jardim o tempo não passa,

O corpo não se move e os olhares desviam-se.

As mágoas do mundo tomam forma,

As dores enrugam o rosto e esgotam as forças.

O desânimo encontrou guarida e…

A alma consome-se numa dor sem par.

Que desgostos repousam sem consolo?

Que sonhos se desfizeram?

Mil lutas foram travadas, algumas vitórias?

Talvez. Mas a derrota foi demolidora.

A vontade de viver foi-lhe roubada e a morte teima em tardar.

Pobre alma que de tábuas fez seu colchão,

De orvalho a sua manta, os raios de sol seu consolo.

Os meus olhos não se desviam e pelo rosto corre uma lágrima.

Como pode o mundo permitir tanta tristeza?

No quiosque alguém compra um pão,

Num gesto nobre lho oferece.

Timidamente aceita e, sofregamente devora-o.

No rosto um sorriso de felicidade agradece.

A fome tornou-se mais leve e o corpo ergue-se,

Encontrou força para continuar… talvez mendigando…

Talvez em eterna procura de uma razão para viver…

E o banco? Espera imóvel… talvez pela sua volta.

Fortunata Fialho

Noite…

Onde está o azul do céu?

As nuvens iradas vedaram-lhe os raios.

Cortinas de nuvens, mantos negros, escuros véus.

Olho pela janela e o mundo parece ruir.

A tristeza e a saudade invade todo o meu ser.

Uma mensagem. Chego hoje.

Na mesa o meu melhor vinho rodeado de velinhas perfumadas.

De luzes apagadas as chamas tremem placidamente.

Uma chave na porta, uns passos que se aproximam.

Corro e caio nos seus braços e devoro a sua boca.

As palavras… são inúteis e não as articulamos.

Roupas esquecidas pelo chão, caídas como pétalas de rosas.

Corpos quentes e vibrantes… indistinguíveis.

Mãos que acariciam sem pudor,

Que reclamam cada poro dos nossos corpos,

Cada pedacinho de pele nos cantos mais íntimos.

O pudor ficou lá fora, as velas apagaram-se,

O vinho continua nos copos.

E os corpos?

Os corpos explodem num orgasmo intenso

Exaustos e plenos, repousam abraçados.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

Filho. 💕 Feliz dia dos filhos.

Quando os corpos se entregam o milagre acontece.

Quando o amor é imenso e não cabe em dois corações,

É necessário produzir mais alguns.

Entre beijos e abraços, outro amor em formação

No calor de dois corpos que se enlaçam… unos…

Quando os corpos se multiplicam o amor aumenta.

Um ser pequenino e frágil cresce dentro de nós.

Invisível, só os podemos sentir e acariciar.

O melhor pedaço de nós, um fruto do nosso amor.

Uma relação para toda a vida acontece.

Um primeiro olhar, um primeiro cheiro…um primeiro sorriso,

Uma primeira carícia… um primeiro som…

Um filho é o maior tesouro, o mais rico… o mais belo.

Um pequeno diamante em bruto que se desenvolve e se molda,

Uma joia rara que lapidamos diariamente.

Envolto em lágrimas, suor e muito amor cresce.

Nunca um amor foi tão puro e tão verdadeiro

Nunca um coração foi tão nosso, nunca um amor foi tão imenso.

Um filho é… o maior milagre do mundo.

Fortunata Fialho

O tempo passa e os seus sorrisos sempre me apaixonam.

Terra, pobre planeta.

Mundo louco, insano e desesperante, virado do avesso e desprotegido.

Onde o amor se transforma em ódio e o conhecimento em ignorância.

Todo o planeta se debate a fugir da morte sem que ouçam o seu angustiante grito.

Mentes surdas e petulantes, pseudoiluminadas na sua ignorância,

Poluem os seus oceanos, rasgam o seu solo e destroem o seu manto verde.

Como filhos que acham que os pais nunca morrem,

Esgotam os seus recursos perante uma população inerte.

Condenam os povos a uma vida de terror e morte.

As águas agigantam-se, as florestas perecem e o calor avança.

O frio gela, o calor derrete e o planeta adoece.

Os animais morrem, as plantas desaparecem, o deserto avança.

E o povo chora castigado pelo clima,

Afoga-se nas águas, incinera-se nos incêndios,

Debilita com fome, sede… desidrata com o calor…

Pobre planeta! Pobres de nós que com ele sofremos!

Protejam-no, curem as suas feridas, purifique as suas águas,

Remendem os seus mantos verdes, juntem os retalhos e criem florestas.

Purifiquem o ar… deixem-nos respirar… devolvam o oxigénio.

Parem gentes inconscientes! Vive meu planeta amado.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

Porque hoje é dia do autismo _ Autista.

Um rosto sem sorriso, ouvidos que se recusam a ouvir.

Silêncios que ninguém compreende.

Gestos que se repetem de forma desesperante.

Um coração preso num peito que não se abre.

Cérebro prodigioso que teima em se esconder.

Medo do toque e do mundo que o rodeia.

Incompreensão das relações humanas.

Anseia por carinho mas não o sabe pedir… nem dar.

Olhos que fogem de outros olhos.

Corpo que foge de outros corpos.

Não suporta o toque e… esconde-se…

Num mundo escondido entre muros invisíveis.

Génio incompreendido que domina a arte, os números, a ciência ou,

Quem sabe, descobertas surpreendentes capazes de mudar o mundo.

Mente prisioneira de um tema só seu.

Não deixa que perturbem o seu mundo.

Ergue muros que lhe dão segurança.

Coração que precisa desesperadamente de amor,

Amor esse que não consegue demonstrar.

Autista, criança sensível num mundo só seu.

Criança ternura abre uma porta e deixa-me entrar,

Mostra que também sabes amar.

Fortunata Fialho

Diziam…

Outrora os velhos diziam, “ Mulher séria não abandona a família “

Outrora as mulheres diziam, “Quem manda é ele”

Outrora o povo dizia, “Entre marido e mulher ninguém meta a colher”

E as pessoas não falavam do suplício em que viviam.

Tinham vergonha e assumiam tudo como sendo o destino.

E o destino manipulava, manietava e maltratava.

O futuro não existia, o presente era imutável.

E uma mulher disse, “Vou quebrar as amarras”

E muitas mulheres a seguiram lutando.

O povo criticou, hostilizou e disse, “ Desenvergonhadas”

Elas fingiram não ouvir e continuaram.

Os homens assustaram-se e tentaram pará-las.

Então um disse, “ Ganharam o meu respeito”

E a ele outros se juntaram e novamente coabitaram.

E o povo disse, “Os tempos estão mudados” e tiveram medo.

Mulheres e homens, num tempo de mudança, evoluíram.

As crianças cresceram e aprenderam o respeito mútuo.

Nas casas predomina harmonia e respeito.

E o mundo disse, “Fim com a violência doméstica”

E as autoridades tiveram de agir.

E o mundo exigiu, “ Que se respeite todo o ser humano”

E alguns assustaram-se e disseram, “No meu tempo é que era bom”

E o mundo respondeu, “Os tempos mudaram e todos somos iguais”

E eu, que sou mulher, digo, “Ninguém me irá inferiorizar”

Fortunata Fialho

Saudade

Quero o teu tempo de volta

Quero o teu carinho de mãe.

Hoje sinto-me uma criança indefesa,

Preciso dos teus braços para me protegerem.

Quero ouvir a tua voz sentir o bater no teu peito.

Mãe tem de ser eterna… deveria ser eterna…

Ontem pensei que o afastamento seria muito bom,

Hoje o afastamento dói intensamente.

O mundo sem ti ficou mais vazio,

O coração mais quebrado… remendado.

A tua presença não vou poder ter nunca mais

O tempo nunca retrocederá.

Ainda lembro o som da tua voz, o teu sorriso calmo,

A tua personalidade muito própria.

Quero lembrar sempre o teu rosto,

Os teus olhos escuros e profundos,

As tuas atenções carinhosas, quando sofria.

Tenho saudades até daquilo que não gostava,

Das palavras de incentivo que nunca me poupas-te.

Quero-te de volta minha mãe.

Quero-te ao meu lado saudável e sorridente.

Quero ser novamente a tua menininha,

Preciso do teu amor incondicional.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da net.

Sonolenta.

Teimosa e relutante, tento não cair nos braços de Morfeu.

Ele, pacientemente tenta cerrar meus olhos.

As pálpebras pesadas lutam para se cerrarem.

Desesperada tento abrir os olhos e observar tudo em meu redor.

Cansada e sonolenta enfrentou uma luta inglória.

Sem que me aperceba Morfeu venceu e rodeia-me com seus braços.

Vencedor numa luta desigual, piedosamente oferece-me um sonho.

No meu leito, adormecida, sinto que me abandono.

O meu corpo, leve como uma pena, vou ao sabor do vento.

Plano sobre um campo de trigo e o verde é tão calmo,

Salto para um campo de flores e sorrio…

O seu perfume inebria-me e, o seu colorido encanta-me.

O vento opta e sou projetada para o rio.

Mergulho mas não temo. A sua frescura embala os meus sentidos.

O rio transporta-me para o mar e despede-se.

O mar… ai o imenso mar envolve-me.

Cobre-me de mantos azuis decorados de conchas e corais.

Nas ondas calmas descanso e me embalo.

Adormecia… e o mar não me tragou…

Acordo e o sol tinha-se escondido.

Mil luzes brilhavam no firmamento,

Colchas brilhantes cobertas de diamantes ao alcance da mão.  

Toque-lhe e mil estrelas cadentes acariciam o meu corpo.

O negro envolveu-me e as estrelas iluminam o meu caminho.

Ao longe um raio de sol… tímido e pouco quente.

Era o sol que despertava, preguiçoso e lentamente.

Morfeu, cansado e impaciente, acordou-me.

O meu corpo já era meu e, sonolenta mas feliz, abri os olhos.

Fortunata Fialho

imagem retirada da net.