Brisa.

Brisa.

Uma leve brisa beijou o meu rosto, suave e delicadamente.

Segredou ao meu ouvido todos os segredos do mundo.

Confessou que no ar paira o amor e a paixão,

Que também transporta o ódio e a intolerância.

Agita-os para que se misturem… espera que o bem apague o mal.

Com gotas de orvalho chora o seu insucesso.

O ódio não se dissipa e a intolerância teima em crescer.

O amor e a paixão aliaram-se á compreensão e ternura,

Armaram-se de beijos e abraços e montam a brisa.

Como Cavaleiros de armadura reluzente bramem suas armas.

A brisa, como um cavalo alado, corre em seu auxílio.

Cansada, a brisa descansa… repousa em meu redor.

Sofreu tantas derrotas e tantas vitórias…

A luta é eterna… o descanso efémero…

A brisa acaricia o meu rosto e… segreda:

A luta continua e… eu nunca desisto.

Numa rajada de vento eleva-se… gotas de orvalho caiem.

No meu rosto rola uma lágrima…

No meu rosto brilha um sorriso de esperança.

Fortunata Fialho

Feliz Dia do Abraço.

Quero um abraço.

Quero um abraço quente e apertado.

Um abraço consolo, um abraço amizade,

Um abraço paixão, um abraço amor.

Quero todo o sentimento num abraço de paz,

Num abraço de respeito… aceitação.

Quero um abraço sem cor, um abraço sem credo,

Um abraço partilha de puro amor.

Quero um abraço que cure, um abraço que dure.

Quero a eternidade num abraço,

No teu abraço… no meu abraço…

Que em todos os lugares se ofereçam abraços,

Se partilhem e passem de corpo em corpo,

Que essa partilha só termine no fim dos tempos.

Um abraço é um bem inestimável,

Saber abraçar é uma arte.

Quem abraça é o maior artista…

Que planta bondade em todos os corações,

Carinho em todos os olhares,

Amor em todo o ser vivo.

Quero o meu abraço especial… precioso,

Aceita o meu abraço… guarda-o no teu coração.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet

Tenho saudades…

Tenho saudades…

Tenho saudades dos meus tempos de criança.

De correr e saltar nas ruas da minha aldeia,

Das brincadeiras com os meus primos.

Tenho saudades de não ter preocupações,

Saudades de não ter saudades.

Tenho saudades de percorrer os campos,

De me sentar à sombra de uma arvore a ler,

De pescar num rio ou barragem, ou…

Simplesmente absorver os odores das flores campestres.

Saudades, tantas saudades do tempo de inocência,

Do tempo em que não interessava o tempo,

Onde uma brincadeira tudo fazia esquecer

E as gargalhadas a todos faziam sorrir.

Que saudades do canto dos grilos,

Do chilrear dos pássaros e do cheiro das flores.

Saudades de percorrer as ruas sem olhar preocupada.

Saudades daquela liberdade que nem sabia que tinha…

Tenho saudades…

Tenho saudades dos meus tempos de criança.

De correr e saltar nas ruas da minha aldeia,

Das brincadeiras com os meus primos.

Tenho saudades de não ter preocupações,

Saudades de não ter saudades.

Tenho saudades de percorrer os campos,

De me sentar à sombra de uma arvore a ler,

De pescar num rio ou barragem, ou…

Simplesmente absorver os odores das flores campestres.

Saudades, tantas saudades do tempo de inocência,

Do tempo em que não interessava o tempo,

Onde uma brincadeira tudo fazia esquecer

E as gargalhadas a todos faziam sorrir.

Que saudades do canto dos grilos,

Do chilrear dos pássaros e do cheiro das flores.

Saudades de percorrer as ruas sem olhar preocupada.

Saudades daquela liberdade que nem sabia que tinha…

Fortunata Fialho

Negro.

Negro

O negro desce sobre a terra e a luz perde-se no horizonte.

Um manto negro cobre tudo nas horas tardias.

No calor de uma lareira tosca de um pobre monte

Uma criança procura as estrelas através das vidraças.

Suas roupas são negras e as lágrimas correm no seu rosto.

Lá no alto as estrelas brilham como joias maravilhosas.

Uma brilha mais intensamente sempre que ele a olha,

No seu rostinho um sorriso se revela.

– Olha pai, é a mamã a mandar beijos.

Tinham-lhe dito que as pessoas não morrem,

Transformam-se em lindas estrelinhas no céu.

O seu coração brilhou por instantes soltando um desejo

– Vem ver-me todas as noites, brilha para mim…

Quero aceitar e devolver os teus beijos.

Um raio de luz surge, é o dia que se levanta.

Sob o parapeito da janela a criança adormeceu.

No seu rosto um sorriso brilha…

Tornando o coração do seu pai, que o observa,

Um pouco menos negro… e a dor esmoreceu.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet.

À luz da poesia.

À luz da poesia.

À luz da poesia revelam-se sonhos e quimeras.

Como a chama de uma vela, sombras irreais criam magia.

Pelos olhos desfilam mundos fantásticos… (i)reais.

À luz da poesia não existe frio e o calor só acaricia.

Todas as sombras se enchem de luz e os corações brilham.

Brilham intensamente, irradiando inocência e esperança.

Iluminada por essa luz imensa sonho…

Sonho com mundos encantados, céus de mil cores,

Campos cobertos de diamantes gotas de orvalho.

Campos verdejantes até onde a vista alcança… e mais além.

Verdes salpicados de mil flores arco-íris… mágicas… fantásticas…

Riachos de águas frescas e cristalinas matam a sede.

Nas suas águas refrescam-se corpos envolvidos pela sua carícia húmida.

À luz da poesia os amantes são mais amantes,

A pele mas sensível, os beijos mais intensos.

E os orgasmos? Ai esses são puramente divinais.

À luz da poesia não tenho idade… nem fronteiras.

Sou pura e inocente como uma criança…

Sábia… vivida… feroz… protetora…

Doce e ardente como a paixão… despida de preconceitos e tabus.

Iluminada, as palavras soltam-se compondo belos poemas.

Textos poéticos de frases melódicas… doces… eternas…

À luz da poesia… algures… nasce mais um poeta,

Mensageiro de beleza… esperança e sonho.

Fortunata Fialho

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia…

Escreve-me de todas as formas.

Escreve-me com beijos e rima-me com carícias.

Transforma os meus gemidos em poemas,

Envolve meus seios em quadras,

Transforma o meu ventre em sonetos.

Destrói os meus medos em sátiras,

Chove-me em gotas de rimas.

Transforma as minhas lágrimas em poemas de amor,

Os nossos orgasmos em vulcões de odes ao divino.

Os momentos mortos em poemas de paixão,

Os dias em epopeias versejadas,

Os segundos em viagens de poemas.

A vida em enciclopédias poéticas,

A dor em poema triste,

A felicidade em declarações poéticas.

Ama-me em ondas de poesia,

Segredo-me aos ouvidos poemas divinos.

Beija-me com palavras de amor.

Envolve-me em ti, minha poesia.

Torna-te o meu eterno poema apaixonado,

O meu poema eroticamente sonhado…

Deixa-me ser para sempre a tua poesia…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet

Encontro.

Naquele final de tarde o calor convidava a uma saída.

No jardim perto do mar os bancos de pedra convidavam ao descanso.

A brisa refrescava-me numa terna carícia.

Tentei perder-me nas páginas do meu livro.

Não consegui.

Uma sensação estranha percorria o meu corpo,

Parecia que algo ou alguém me observava.

Passos, lentos e firmes, soavam cada vez mais perto.

“Posso fazer-lhe companhia?”

Emudeci, nunca um sorriso me tinha parecido tão belo.

Devo ter dito que sim, não me lembro.

O livro deixou de ser interessante e o calor voltou.

Tentava não olhar mas, os olhos não obedeciam.

Finalmente, não sei como, a conversa fluiu.

Não podia acreditar, parecia que sempre nos conhecêramos,

Gostávamos dos mesmos livros, dos mesmos filmes,

De passear no campo….

Devia estar a sonhar… as nossas mãos uniram-se,

Os corpos aproximaram-se… os lábios colaram-se.

O fim de tarde tornou-se noite.

As estrelas brilharam mas o tempo parecia ter parado.

O nascer do sol foi o mais encantador.

Quando voltei a casa o sol já estava alto,

No livro um número de telefone e uma simples frase.

“Logo à mesma hora, no mesmo lugar”.

Tinha tido um encontro com o futuro… o meu futuro.

E as noites tornaram-se mais luminosas

Os dias mais solarengos…

E o banco de pedra o símbolo do amor.

Fortunata Fialho

🌉Encontro. 🌉

Encontro

Naquele final de tarde o calor convidava a uma saída.

No jardim perto do mar os bancos de pedra convidavam ao descanso.

A brisa refrescava-me numa terna carícia.

Tentei perder-me nas páginas do meu livro.

Não consegui.

Uma sensação estranha percorria o meu corpo,

Parecia que algo ou alguém me observava.

Passos, lentos e firmes, soavam cada vez mais perto.

“Posso fazer-lhe companhia?”

Emudeci, nunca um sorriso me tinha parecido tão belo.

Devo ter dito que sim, não me lembro.

O livro deixou de ser interessante e o calor voltou.

Tentava não olhar mas, os olhos não obedeciam.

Finalmente, não sei como, a conversa fluiu.

Não podia acreditar, parecia que sempre nos conhecêramos,

Gostávamos dos mesmos livros, dos mesmos filmes,

De passear no campo….

Devia estar a sonhar… as nossas mãos uniram-se,

Os corpos aproximaram-se… os lábios colaram-se.

O fim de tarde tornou-se noite.

As estrelas brilharam mas o tempo parecia ter parado.

O nascer do sol foi o mais encantador.

Quando voltei a casa o sol já estava alto,

No livro um número de telefone e uma simples frase.

“Logo à mesma hora, no mesmo lugar”.

Tinha tido um encontro com o futuro… o meu futuro.

E as noites tornaram-se mais luminosas

Os dias mais solarengos…

E o banco de pedra o símbolo do amor.

Fortunata Fialho

Filho

Filho.

Quando os corpos se entregam o milagre acontece.

Quando o amor é imenso e não cabe em dois corações,

É necessário produzir mais alguns.

Entre beijos e abraços, outro amor em formação

No calor de dois corpos que se enlaçam… unos…

Quando os corpos se multiplicam o amor aumenta.

Um ser pequenino e frágil cresce dentro de nós.

Invisível, só os podemos sentir e acariciar.

O melhor pedaço de nós, um fruto do nosso amor.

Uma relação para toda a vida acontece.

Um primeiro olhar, um primeiro cheiro…um primeiro sorriso,

Uma primeira carícia… um primeiro som…

Um filho é o maior tesouro, o mais rico… o mais belo.

Um pequeno diamante em bruto que se desenvolve e se molda,

Uma joia rara que lapidamos diariamente.

Envolto em lágrimas, suor e muito amor cresce.

Nunca um amor foi tão puro e tão verdadeiro

Nunca um coração foi tão nosso, nunca um amor foi tão imenso.

Um filho é… o maior milagre do mundo.

Fortunata Fialho

Autista.

Autista.

Um rosto sem sorriso, ouvidos que se recusam a ouvir.

Silêncios que ninguém compreende.

Gestos que se repetem de forma desesperante.

Um coração preso num peito que não se abre.

Cérebro prodigioso que teima em se esconder.

Medo do toque e do mundo que o rodeia.

Incompreensão das relações humanas.

Anseia por carinho mas não o sabe pedir… nem dar.

Olhos que fogem de outros olhos.

Corpo que foge de outros corpos.

Não suporta o toque e… esconde-se…

Num mundo escondido entre muros invisíveis.

Génio incompreendido que domina a arte, os números, a ciência ou,

Quem sabe, descobertas surpreendentes capazes de mudar o mundo.

Mente prisioneira de um tema só seu.

Não deixa que perturbem o seu mundo.

Ergue muros que lhe dão segurança.

Coração que precisa desesperadamente de amor,

Amor esse que não consegue demonstrar.

Autista, criança sensível num mundo só seu.

Criança ternura abre uma porta e deixa-me entrar,

Mostra que também sabes amar.

Fortunata Fialho