Feliz dia dos namorados.

Amor é…

Amor é irracionalmente delicioso, um castigo divino de se cumprir.

Um andar sobre as nuvens de pés bem assentes no chão.

Amor é um estado de graças onde o cérebro foi proibido de intervir.

Um depender de alguém… sem sentimento de posse…

Um tempo que não passa, mas… que foge veloz como o vento.

Amor é uma cascata de emoções

Onde ninguém manda nem pode fugir.

Um rio que corre sem se deter em busca do mar paixão,

Onde se entrega deixando de existir.

Amor é fogo ardente que poupa a pele, queima intensamente sem destruir.

É sentimento inconsciente… sorrateiro… enganador… sedutor…

Pedaço de mau caminho, pecado que a todos afeta e…

Ao qual ninguém consegue resistir.

Quero amar… amar loucamente,

Só sentir na pele o prazer divino,

Esquecer a razão e ser só coração.

Quero ser alma, carinho, paixão, sentir…

Quero o amor como constante da vida, alimento diário…

Sede insaciável… licor que inebria… loucura…ilusão.

Amor é… a finalidade dos meus dias,

Objetivo de vida que me faz lutar,

Que me faz erguer da cama e caminhar,

Que me aconchega nos lençóis e me faz sonhar.

Amor é… aquele que me abraça e me consola,

Que me beija e enxuga as lágrimas,

Que me diz tudo vai correr bem,

Amanhã será um novo dia.

Quero um amor verdadeiro, tranquilo, ternurento…

Arrebatador e intenso.

Quero um amor intenso como a ventania de inverno,

Como o mar que se agiganta em ondas gigantes.

Quero um amor suave como a neve,

Acariciante como a brisa de verão.

Amor é… tudo aquilo que eu quero.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet

Velha caneta.

Velha caneta.

Numa gaveta escondida uma velha caneta está encarcerada.

Os anos passaram e o carcereiro morreu.

Na sua infância a sua tinta escreveu lindas frases de amor.

Desenhou tantas cartas plenas de promessas,

Confessou tantos desejos escondidos,

Transportou milhares de beijos desejados,

Impressos em cada folha de papel.

Ninguém sabe o que aconteceu… as cartas pararam.

Num momento de dor encarceraram a pobre caneta.

O tempo passou e a pobre esperou.

O carcereiro deixou herdeiros.

Alguém a gaveta abriu e no fundo a caneta encontrou.

Linda, de linhas clássicas, cheia de charme…

Para um bolso alguém a mudou.

No escuro da noite voltou a escrever.

Escreveu o mais lindo poema de amor.

Do seu aparo saíram palavras de saudade…

Palavras de saudade e de dor.

Recordações de um tempo de felicidade,

De um tempo de vida e amor.

No papel surgiu:

Meu querido pai, para sempre viverás em mim.

Guardo os tempos em me pegavas ao colo

Me acariciavas e abraçavas…

Me prometias o mundo e me davas as estrelas.

No teu colo a dor passava e a felicidade morava.

Meu pai, meu herói, meu mágico… meu mundo.

Meu confidente… meu ídolo.

No meu coração tu ainda vives,

Contigo eu desabafo e, não sei como,

Sempre me respondes e aconselhas.

Meu pai… mesmo morto em mim sempre viverás.

E a caneta nunca mais descansou…

Fortunata Fialho

Quero ser…😍😉

Quero ser…

Quero ser fogo e incendiar ao mínimo toque teu.

Quero ser chama que ilumina a noite escura e se reflete no teu olhar.

Quero ser o reflexo de dois amantes abraçados.

Quero ser o brilho de um sorriso teu,

O desejo refletido no teu olhar,

A sucessão dos teus dias, lentos… tranquilos….

Caminhando em busca do infinito inalcançável.

Quero ser amor que cresce de forma exponencial,

Amor crescente e profundo… delicado…

Amor ardente.

Quero ser o mundo e acolher toda a gente.

Mar temperamental e apaixonado,

Riacho tranquilo e lutador, que se agiganta…

Cresce e corre em busca do mar que ama.

Quero ser uma simples gota de água que sobe aos céus

E cai alegremente sobre um campo verdejante.

Quer ser flor singela e bela crescendo

Num campo verde brilhante… húmido…

Enfeitado por um colar de diamantes de orvalho.

Quero ser gargalhada na boca de uma criança.

Pura, cristalina, inocente e plena de esperança.

Quero ser ingénua, sonhadora, pura e transparente.

Sonhar o impossível, lutar pelo futuro…

Agarrar a vida… afastar a morte.

Quero viver eternamente…

Nem que seja na lembrança das gentes.

Quero ser uma estrela brilhante…

Mesmo que perca o brilho em cada amanhecer.

Quero ser palavra que se transmite

No imaginário de algum livro em cada estante.

Fortunata Fialho

🌊 Mar, tranquilo mar. 🌊

Mar, tranquilo mar.

Nostálgico caminha sem rumo.

Pensativo deixa-se levar.

O barulho da cidade está cada vez mais longe.

Caminha envolto em tristes pensamentos.

Finalmente a quietude… o silêncio.

Uma gaivota soa ao longe.

Uma leve e fresca maresia acaricia o seu rosto.

Uma lágrima, salgada, sulca-lhe a face.

Seus olhos tristes, azuis como o mar, perderam o brilho.

Subitamente, seus pés pisam o areal.

Grãos finos abafam os seus passos.

Cansado repousa no Areal.

Ao longe o mar compadece-se,

Movimenta-se em suaves ondas…

Num concerto mágico acalma-lhe as mágoas.

Suavemente movimenta as conchas

Depositando-as a seus pés.

Uma criança acerca-se e, pegando num búzio, diz:

-Escuta o som do mar, é lindo e doce.

O seu sorriso, brilhante, irradia felicidade.

Ingénua, pura, ternurenta… que linda criança!

O mar salpica-lhe o corpo e uma mãozinha acaricia a sua.

No seu rosto, triste, desenha-se um sorriso…

O azul dos seus olhos adquire o brilho do mar…

A tristeza desfaz-se como a espuma das ondas…

A tranquilidade acaricia- lhe o coração…

Feliz… brinca na praia, apanha conchas,

Escuta os búzios, chapinha na água …

E… envolto em maresia… regressa feliz.

Fortunata Fialho

Quero um abraço.

Quero um abraço.

Quero um abraço quente e apertado.

Um abraço consolo, um abraço amizade,

Um abraço paixão, um abraço amor.

Quero todo o sentimento num abraço de paz,

Num abraço de respeito… aceitação.

Quero um abraço sem cor, um abraço sem credo,

Um abraço partilha de puro amor.

Quero um abraço que cure, um abraço que dure.

Quero a eternidade num abraço,

No teu abraço… no meu abraço…

Que em todos os lugares se ofereçam abraços,

Se partilhem e passem de corpo em corpo,

Que essa partilha só termine no fim dos tempos.

Um abraço é um bem inestimável,

Saber abraçar é uma arte.

Quem abraça é o maior artista…

Que planta bondade em todos os corações,

Carinho em todos os olhares,

Amor em todo o ser vivo.

Quero o meu abraço especial… precioso,

Aceita o meu abraço… guarda-o no teu coração.

Fortunata Fialho

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia.

Deixa-me ser poesia…

Escreve-me de todas as formas.

Escreve-me com beijos e rima-me com carícias.

Transforma os meus gemidos em poemas,

Envolve meus seios em quadras,

Transforma o meu ventre em sonetos.

Destrói os meus medos em sátiras,

Chove-me em gotas de rimas.

Transforma as minhas lágrimas em poemas de amor,

Os nossos orgasmos em vulcões de odes ao divino.

Os momentos mortos em poemas de paixão,

Os dias em epopeias versejadas,

Os segundos em viagens de poemas.

A vida em enciclopédias poéticas,

A dor em poema triste,

A felicidade em declarações poéticas.

Ama-me em ondas de poesia,

Segredo-me aos ouvidos poemas divinos.

Beija-me com palavras de amor.

Envolve-me em ti, minha poesia.

Torna-te o meu eterno poema apaixonado,

O meu poema eroticamente sonhado…

Deixa-me ser para sempre a tua poesia…

Fortunata Fialho

Caminhar…

Caminhar…

Na infinita sucessão dos dias melancolia e felicidade caminham lado a lado.

Melancolia observa o nascer do sol com lágrimas nos olhos,

Felicidade sorri com todo o esplendor do seu colorido.

E os dias caminham sem se deixarem travar… sucedem-se…

Rumo ao infinito inalcançável sem se cansarem.

Melancolia recorda os tempos passados e tenta olhar para trás.

Pobre melancolia, o passado já não pode enxergar.

Felicidade tenta ver o futuro que se oculta no horizonte.

Pobre felicidade, a impaciência não para de a atormentar.

Os dias sucedem-se, tomam-se anos… séculos.

A idade não os afeta, nunca envelhecem… não lhe é permitido.

 Melancolia tem saudades do passado… entristece.

Pobre melancolia, precisa da felicidade para a amparar.

Felicidade envolve-a num abraço que enternece,

Beija-lhe o rosto… limpa-lhe as lágrimas…

Fala-lhe de amor e esperança, canta com voz de veludo,

Canções de paixão e de sonho… plenas de esperança no futuro.

Melancolia e felicidade apaixonam-se e, entre abraços e beijos,

Caminham de mãos dadas rumo ao futuro lentamente,

Sem pressa aproveitam o momento,

E cada nascer-do-sol é o mais belo… e cada pôr-do-sol o mais radiante.

Fortunata Fialho

Melancolia.

Melancolia.

Olho pela janela e, de repente, uma rajada de vento agita as árvores.

Algumas gotas de chuva caem, tímidas e quentes, levantando poeira.

Ao longe as árvores cobrem-se de mil tons amarelados,

O verde viçoso e brilhante esconde-se envergonhado.

As folhas entristecem e, numa tentativa vã de desespero, escurecem.

Onde outrora o verde era rei agora o amarelo outonal lidera.

O verde não se deixou derrotar e renasce em cada tronco de árvore,

Em cada pedrinha sombria e até no solo húmido.

Um viçoso musgo cobre de tons esverdeados os mais recônditos lugares.

A chuva cai cada vez com mais intensidade mas isso não importa.

O seu molhar ainda é ligeiramente quente e retemperador.

Afinal quem não gosta de caminhar à chuva,

Sentar-se num tronco de árvore e admirar as paisagens?

Sentir na pele o doce contacto da água, fresco e reconfortante?

Sentir o suave toque do musgo que se agiganta, cobrindo tudo em seu redor.

O vento acorda e fustiga o arvoredo soltando as pobres folhas cansadas.

Agora a chuva não é só água, é também chuva de folhas.

Ao longe avistam-se alguns troncos nus que se tentam cobrir de musgo.

Pudicamente, tentam esconder a sua nudez. Tarefa inglória…

É outono e os amarelos pintam as paisagens.

Numa infinidade de lindos tons cobrem tudo o que a vista pode alcançar.

O verde era mais belo? Não sei, o amarelo é deliciosamente tranquilo… encantador.

É outono, os troncos cobrem-se de musgo e o chão de folhas mortas.

Chove cada vez mais e o meu coração é inundado de melancolia…

Doce e terna melancolia que, mesmo assim, me faz feliz.

Fortunata Fialho

Deixa para lá…

Deixa para lá

Se a vida te prega uma partida deixa para lá.

Tenta pagar-lhe da mesma moeda,

Troca-lhe as voltas, levanta-te e sorri.

Não lhe mostres as lágrimas, por vezes ela é má.

Nos bons dias proporciona-te boas surpresas,

Premeia o teu esforço de formas que nem imaginas.

Presenteia-te com o mais lindo raio de luz,

Com as estrelas mais brilhantes,

Com os perfumes mais inebriantes,

Com a felicidade de um sorriso que seduz.

Se a noite é tenebrosa e negra deixa para lá.

Procura a lua e pede-lhe as estrelas.

Projeta a luz das tuas lanternas,

Rasga-a com belos raios de luz.

Pinta-a de lindas estrelas brilhantes,

Salpica-a de pingos de intensa luz.

Terás o céu mais brilhante e…

No teu rosto brilhará a felicidade.

Se a tristeza te bater à porta deixa para lá.

Busca a felicidade, procura o amor,

Veste as roupas mais bonitas e sai.

Baila com todo o teu furor…

Percorre os campos floridos,

Lê o livro que reclama na estante,

Viaja nas suas páginas e adormece feliz.

Fortunata Fialho

Postais antigos.

Donos…

Donos…

Donos… creem que são donos…

Num momento parecem transbordar de amor e carinho,

Noutro destilam ira e descontentamento.

Tudo vai bem quando a seu jeito,

Quando a vontade do outro só reflete a sua,

Quando sentem que o mundo é só seu,

Creem que quem os ama tem de os servir.

Donos… tudo querem controlar… manipular a seu jeito.

Esquecem que o outro é portador de personalidade,

Não da sua… do próprio… e a isso tem direito.

Exigem obediência e castram sonhos… alegrias…

Recusam aceitar as diferenças dos que consigo coabitam.

Proíbem quando a eles nunca o fizeram,

Exigem quando a eles nada é exigido,

Pedem… e nada dão em troca.

Donos… julgam-se donos…

Magoam com a sua intolerância… o seu desrespeito.

Se o outro tem ideias próprias… está contra ele.

Se os sonhos são diferentes… não prestam,

Se o outro se sente realizado… é um iludido.

O seu egocentrismo cega-o… não aceita outras formas de ser.

Dono… ninguém é dono de ninguém,

Amor é aceitação… respeito… apoio…

Não é castração… depreciação… prisão.

Donos… querem ser donos…

Matam o amor… quebram-no em mil pedaços.

Apagam sorrisos… criam lágrimas… semeiam tristeza.

Criam prisões sem grades nem cadeados…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet