“Quero um poema…”

Desde que somos concebidos a nossa vida é feita de sonhos. Os pais sonham futuros promissores para os filhos, eu ainda o faço com os meus.

Os filhos vão crescendo e vão sonhando sonhos próprios de cada etapa do seu crescimento. Passam pelos sonhos fantásticos, pelos incoerentes e inalcançáveis da adolescência e, finalmente, pelos mais realistas.

Todos crescemos, e muitas vezes, os sonhos perdem-se nas responsabilidades da vida adulta. Eu, como tantas como eu não perdi os meus sonhos, simplesmente os deixei em espera. Primeiro foram os filhos e sonhei o seu futuro. Lutei para que nada lhes faltasse e isso fez-me feliz. Os filhos cresceram e os sonhos voltaram.

Sempre fui uma pessoa que lia tudo aquilo a que tinha acesso, ler sempre me deu um prazer imenso. Da leitura à escrita foi uma evolução natural.

 Comecei a escrever porque escrever é um prazer imenso que me proporciona momentos muito reconfortantes. Escrevo o que sinto, o que sonho, o que desejo… escrevo por… tudo e por nada.

Na poesia encontrei uma forma de verbalizar sentimentos e assim surgiram diversos poemas dos quais partilho alguns com a esperança de que também façam felizes alguns sonhadores como eu.

Aqui vos revelo um pouco da minha alma, um pouco dos meus sonhos… um pouco de mim…

Fortunata Fialho

As estrelas brilham. “Quero um poema…”

As estrelas brilham

Olho pela janela e o brilho das estrelas convida ao sonho.

Lá fora a noite envolve tudo em seu redor convidando os amantes.

Estou só! As horas passam e, finalmente a porta abre-se.

Sinto a tua presença e o meu rosto ilumina-se.

Continuo contemplando as estrelas e, ansiosamente espero.

 O dia terminou e agora nada mais importa, o hoje já se foi e o amanhã ainda tarda.

O agora é só nosso e nada mais importa. Vem… faz o tempo parar.

As tuas mãos tocam os meus ombros e, lentamente, a roupa desliza pelo meu corpo.

O frio da noite mistura-se com o calor do teu corpo e estremeço.

Já não sinto frio, o calor invade a minha pele e… é tão bom.

Fecho os olhos e… sinto. Sinto o suave toque da tua pele… a carícia do teu respirar.

Quero mover-me e não consigo, o meu corpo recusa qualquer movimento.

O corpo deixou de ser meu, ficou preso no teu toque e no meu desejo.

Lentamente rodo e envolvo-te num terno abraço.

Tudo cessa. Não… tudo gira como um carrossel de emoções.

Não sei se vivo ou… se sonho. Devo viver… pareço respirar.

O meu corpo físico desaparece, no seu lugar fica um mundo de sensações.

Todo o teu corpo… o nosso corpo vibra e a entrega é total.

Só sinto, não penso, sou como um rio revolto em busca do mar.

O calor dos teus lábios descobre os meus como uma corrente de emoções.

Docemente os nossos corpos unem-se, fundem-se, tornam-se um só.

Ondas de emoção agitam o oceano dos nossos corpos,

Explodem na nossa praia como um tsunami avassalador.

O quarto tornou-se mundo e o nosso mundo universo.

Nos teus braços… nos meus braços… nos nossos braços, surge o universo.

O nosso universo cresce, expande-se e… a vida acontece.

Já não consigo ver as estrelas… as estrelas somos nós e… brilhamos.

Lentamente o universo acalma-se e o mundo retoma a sua forma.

As ondas aquietam-se e os corpos repousam.

Envoltos nos nossos lençóis, abraçados repousamos.

Eu… sorriu e… contemplo o brilho das estrelas.

Fortunata Fialho

“Quero um poema…”

Criaturas da noite.

Ao longe pia uma coruja, o voo dos morcegos rasga o negrume noturno.

Chegou a hora dos habitantes da noite.

Medos infundados cerram as portas e apagam as luzes.

A beleza das estrelas ofusca as sombras noturnas.

Pelas ruas desfilam sombras… vultos de passagem.

Criaturas da noite em busca de diversão.

Jovens procuram através do conteúdo de um copo, desinibição.

Na senda dos estupefacientes procuram a fuga.

Outros, pelo seu lado, apenas diversão pura e sadia.

Pela noite todas as sombras caminham,

Todas as criaturas aparecem… deambulam… assombram…

No negro da noite caminham amantes.

Entre beijos escaldantes unem-se corpos,

Entregam-se… perdem-se… implodem e, finalmente, explodem em mil fogos-de-artifício.

Criaturas da noite que procuram prazer e felicidade.

Sombras inofensivas que caminham na noite.

Morcegos caçam sem piedade, vitimas inocentes sucumbem aos seus ataques.

Ao longe uma coruja procura a torre da igreja.

O seu pio sulca os ares e ecoa pela cidade.

Ao longe uma porta fecha-se movida pelo medo.

Criaturas da noite, fruto da realidade, fundem-se com o irreal.

Crenças populares afloram os sentidos.

As criaturas só procuram diversão e conforto.

Enfim… criaturas da noite… somente.

Fortunata Fialho

“Quero um poema…”

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

Sinto. “Quero um poema…”

Sinto.

É noite e eu sinto… sinto que o tempo não para,

Que o silêncio invade o meu pequeno mundo,

Lenta e sorrateiramente, avança e rouba-me as palavras.

Sinto que o sol se escondeu e o escuro acaricia a minha pele.

Como um amante, terno e apaixonado, percorre o meu corpo,

Invade todos os meus sentidos e… eu gosto.

Fecho os olhos e reconheço o seu toque, o seu cheiro…

E como cheira o silêncio!

Cheira a ti e nele me perco para me encontrar.

Nele não, em ti me entrego, em ti me encontro.

Levemente depositas um beijo nos meus lábios.

Entreabertos pedem mais e mais…

Todos os beijos do mundo… todos os teus beijos…

Com o teu toque de seda percorres o meu corpo.

Aquieto-me e sinto… sinto que o amor existe.

Sinto que a paixão não é uma quimera… é real.

Que toda eu sou fogo, paixão… sentidos.

Sinto que ainda vivo… que ainda desejo…

Perdida neste mar revolto de sensações, deixo-me ir… vir.

Não sou dona do meu corpo, não és dono do teu.

Somos unos… propriedade da paixão.

Sinto… é noite e eu sinto…

Paixão… desejo… realização.

Sinto… só sei que sinto… sentimos.

Fortunata Fialho

Escrevo. " Quero um poema…"

Escrevo

Escrevo e as palavras parecem teimar em tardar.

Dedilho as teclas e tento encontrar um rumo.

Pelo meu rosto rola uma lágrima de tristeza e dor.

Os pensamentos vagueiam num tempo que já não volta.

Perdida na falta dos afetos que me foram roubados,

Dos colos que me reconfortaram, das mãos que me limpavam as lágrimas.

Como desejo que aqueles que amei e me amaram fossem eternos.

Preciso deles e não os posso abraçar, chamo-os e não podem vir.

Escrevo como quem procura consolo, consolo nas palavras que confortam.

Imprimo e nas linhas que surgem na folha, que absorve as lágrimas, lê-se dor.

Tenho tanta saudade… dói tanto… tanto…

Na folha corre um minúsculo regato, uma lágrima que desliza,

A luz do candeeiro fá-la brilhar com uma estrela.

Que brilho intenso, cintilante!

Em meus lábios surge um sorriso e nos olhos um laivo de alegria.

Como por milagre, a tristeza ameniza-se e a felicidade espreita.

Escrevo e agora já sorriu, as palavras contam boas recordações,

Revelam memórias felizes… lembram tempos de amor.

Agora escrevo saudade envolta em felicidade.

Fortunata Fialho

Feliz dia da Mulher.

Eu serei o que quiser.

Eu serei aquilo que eu quiser!

Sou mulher e não deixo que isso me prejudique.

Alguém ousou dizer na minha cara que o lugar da mulher é na cozinha.

Concordei e acrescentei na sala, no quarto, no jardim…

No trabalho, no carro, no ginásio, no avião…

O meu lugar é onde eu quiser, sou dona de mim.

Longe vai o tempo em que ser mulher era prisão.

Ter filhos e cuidar da família, era a única ambição.

A única ambição que lhe era permitida.

Fada do lar… mãe exemplar… mulher submissa.

Comer e calar… ouvir e engolir…

Eu não preciso de depender de ninguém.

Sei pensar por mim e quero evoluir.

Sou mulher trabalhadora, dona de casa, mãe… sonhadora.

Mulher lutadora que se recusa a cruzar os braços

O mundo também é meu e vou conquistá-lo.

Mulher que se recusa a envelhecer,

Uma mente jovem seja em que idade for.

Sou mulher e… serei o que eu quiser.

Fortunata Fialho

Beijo. “Quero um poema…”

Beijo

Quero a tua boca feita beijo, quero o teu amor feito lábios.

Na minha pele quero sentir o teu respirar,

Sentir o doce toque da tua boca.

Quero ouvir-te sussurrar num beijo:

Amo-te… sempre te hei-de amar.

No teu beijo preciso de me esconder,

Fugir de tudo o que é mau e feio.

Meu coração chora… as lágrimas caem.

 Pelos teus lábios passam tristes e quentes,

 Secam no teu hálito suave e doce.

No teu beijo me perco e logo me acho,

Ou será me acho e logo me perco?

Nos teus beijos arde o meu desejo.

Promessa de entrega total e sem restrições.

Neles me vou e me venho em ondas de prazer imenso.

Preciso dos teus beijos para viver.

Beijos… alimento que me mantem viva.

Quero perder-me nos teus lábios,

Num beijo morrer e ressuscitar.

Beijo fonte de amor, doce ternura,

Envolto em protetores abraços.

No teu beijo me encontrei,

Beijo… doce ternura…sentir pleno.

Um beijo teu vou querer sempre.

Beijo… desejo… amor imenso…

Fortunata Fialho

Sinto. “Quero um poema…”

Sinto.

É noite e eu sinto… sinto que o tempo não para,

Que o silêncio invade o meu pequeno mundo,

Lenta e sorrateiramente, avança e rouba-me as palavras.

Sinto que o sol se escondeu e o escuro acaricia a minha pele.

Como um amante, terno e apaixonado, percorre o meu corpo,

Invade todos os meus sentidos e… eu gosto.

Fecho os olhos e reconheço o seu toque, o seu cheiro…

E como cheira o silêncio!

Cheira a ti e nele me perco para me encontrar.

Nele não, em ti me entrego, em ti me encontro.

Levemente depositas um beijo nos meus lábios.

Entreabertos pedem mais e mais…

Todos os beijos do mundo… todos os teus beijos…

Com o teu toque de seda percorres o meu corpo.

Aquieto-me e sinto… sinto que o amor existe.

Sinto que a paixão não é uma quimera… é real.

Que toda eu sou fogo, paixão… sentidos.

Sinto que ainda vivo… que ainda desejo…

Perdida neste mar revolto de sensações, deixo-me ir… vir.

Não sou dona do meu corpo, não és dono do teu.

Somos unos… propriedade da paixão.

Sinto… é noite e eu sinto…

Paixão… desejo… realização.

Sinto… só sei que sinto… sentimos.

Fortunata Fialho

Sopro. “Quero um poema…”

Sopro.

Num sopro, suave e quase inaudível, o vento conta segredos.

Numa carícia fala de amores clandestinos,

Transporta gemidos de prazer… gemidos de felicidade.

Sofregamente beija-nos o corpo e envolve-nos num terno abraço.

Num sopro aquece a alma e faz-nos sonhar.

Eleva-nos aos céus, transporta-nos ao Olimpo.

Num sopro confesso o quanto te amo.

Num sopro convido-te para a minha cama.

Partilhamos os corpos e, num sopro do tempo, enchemo-nos de beijos.

Soprando carícias, perdemos a noção do tempo.

Num sopro violento os nossos corpos explodem de prazer.

Num pequeno sopro, nossos corpos se separam,

Nossos lábios se colam, nossos olhos se fecham…

Nas asas do sono descansamos… abraçados.

Ao sopro das nossas respirações acordamos.

Num sopro de tempo nascemos… vivemos… morremos…

Fortunata Fialho