Beijo. "Quero um poema…"

Beijo

Quero a tua boca feita beijo, quero o teu amor feito lábios.

Na minha pele quero sentir o teu respirar,

Sentir o doce toque da tua boca.

Quero ouvir-te sussurrar num beijo:

Amo-te… sempre te hei-de amar.

No teu beijo preciso de me esconder,

Fugir de tudo o que é mau e feio.

Meu coração chora… as lágrimas caem.

 Pelos teus lábios passam tristes e quentes,

 Secam no teu hálito suave e doce.

No teu beijo me perco e logo me acho,

Ou será me acho e logo me perco?

Nos teus beijos arde o meu desejo.

Promessa de entrega total e sem restrições.

Neles me vou e me venho em ondas de prazer imenso.

Preciso dos teus beijos para viver.

Beijos… alimento que me mantem viva.

Quero perder-me nos teus lábios,

Num beijo morrer e ressuscitar.

Beijo fonte de amor, doce ternura,

Envolto em protetores abraços.

No teu beijo me encontrei,

Beijo… doce ternura…sentir pleno.

Um beijo teu vou querer sempre.

Beijo… desejo… amor imenso…

Fortunata Fialho

Sinto. "Quero um poema…"

Sinto.

É noite e eu sinto… sinto que o tempo não para,

Que o silêncio invade o meu pequeno mundo,

Lenta e sorrateiramente, avança e rouba-me as palavras.

Sinto que o sol se escondeu e o escuro acaricia a minha pele.

Como um amante, terno e apaixonado, percorre o meu corpo,

Invade todos os meus sentidos e… eu gosto.

Fecho os olhos e reconheço o seu toque, o seu cheiro…

E como cheira o silêncio!

Cheira a ti e nele me perco para me encontrar.

Nele não, em ti me entrego, em ti me encontro.

Levemente depositas um beijo nos meus lábios.

Entreabertos pedem mais e mais…

Todos os beijos do mundo… todos os teus beijos…

Com o teu toque de seda percorres o meu corpo.

Aquieto-me e sinto… sinto que o amor existe.

Sinto que a paixão não é uma quimera… é real.

Que toda eu sou fogo, paixão… sentidos.

Sinto que ainda vivo… que ainda desejo…

Perdida neste mar revolto de sensações, deixo-me ir… vir.

Não sou dona do meu corpo, não és dono do teu.

Somos unos… propriedade da paixão.

Sinto… é noite e eu sinto…

Paixão… desejo… realização.

Sinto… só sei que sinto… sentimos.

Fortunata Fialho

Sopro. "Quero um poema…"

Sopro.

Num sopro, suave e quase inaudível, o vento conta segredos.

Numa carícia fala de amores clandestinos,

Transporta gemidos de prazer… gemidos de felicidade.

Sofregamente beija-nos o corpo e envolve-nos num terno abraço.

Num sopro aquece a alma e faz-nos sonhar.

Eleva-nos aos céus, transporta-nos ao Olimpo.

Num sopro confesso o quanto te amo.

Num sopro convido-te para a minha cama.

Partilhamos os corpos e, num sopro do tempo, enchemo-nos de beijos.

Soprando carícias, perdemos a noção do tempo.

Num sopro violento os nossos corpos explodem de prazer.

Num pequeno sopro, nossos corpos se separam,

Nossos lábios se colam, nossos olhos se fecham…

Nas asas do sono descansamos… abraçados.

Ao sopro das nossas respirações acordamos.

Num sopro de tempo nascemos… vivemos… morremos…

Fortunata Fialho

Escrevo. "Quero um poema…"

Escrevo

Escrevo e as palavras parecem teimar em tardar.

Dedilho as teclas e tento encontrar um rumo.

Pelo meu rosto rola uma lágrima de tristeza e dor.

Os pensamentos vagueiam num tempo que já não volta.

Perdida na falta dos afetos que me foram roubados,

Dos colos que me reconfortaram, das mãos que me limpavam as lágrimas.

Como desejo que aqueles que amei e me amaram fossem eternos.

Preciso deles e não os posso abraçar, chamo-os e não podem vir.

Escrevo como quem procura consolo, consolo nas palavras que confortam.

Imprimo e nas linhas que surgem na folha, que absorve as lágrimas, lê-se dor.

Tenho tanta saudade… dói tanto… tanto…

Na folha corre um minúsculo regato, uma lágrima que desliza,

A luz do candeeiro fá-la brilhar com uma estrela.

Que brilho intenso, cintilante!

Em meus lábios surge um sorriso e nos olhos um laivo de alegria.

Como por milagre, a tristeza ameniza-se e a felicidade espreita.

Escrevo e agora já sorriu, as palavras contam boas recordações,

Revelam memórias felizes… lembram tempos de amor.

Agora escrevo saudade envolta em felicidade.

Fortunata Fialho

As estrelas brilham. "Quero um poema…"

As estrelas brilham

Olho pela janela e o brilho das estrelas convida ao sonho.

Lá fora a noite envolve tudo em seu redor convidando os amantes.

Estou só! As horas passam e, finalmente a porta abre-se.

Sinto a tua presença e o meu rosto ilumina-se.

Continuo contemplando as estrelas e, ansiosamente espero.

 O dia terminou e agora nada mais importa, o hoje já se foi e o amanhã ainda tarda.

O agora é só nosso e nada mais importa. Vem… faz o tempo parar.

As tuas mãos tocam os meus ombros e, lentamente, a roupa desliza pelo meu corpo.

O frio da noite mistura-se com o calor do teu corpo e estremeço.

Já não sinto frio, o calor invade a minha pele e… é tão bom.

Fecho os olhos e… sinto. Sinto o suave toque da tua pele… a carícia do teu respirar.

Quero mover-me e não consigo, o meu corpo recusa qualquer movimento.

O corpo deixou de ser meu, ficou preso no teu toque e no meu desejo.

Lentamente rodo e envolvo-te num terno abraço.

Tudo cessa. Não… tudo gira como um carrossel de emoções.

Não sei se vivo ou… se sonho. Devo viver… pareço respirar.

O meu corpo físico desaparece, no seu lugar fica um mundo de sensações.

Todo o teu corpo… o nosso corpo vibra e a entrega é total.

Só sinto, não penso, sou como um rio revolto em busca do mar.

O calor dos teus lábios descobre os meus como uma corrente de emoções.

Docemente os nossos corpos unem-se, fundem-se, tornam-se um só.

Ondas de emoção agitam o oceano dos nossos corpos,

Explodem na nossa praia como um tsunami avassalador.

O quarto tornou-se mundo e o nosso mundo universo.

Nos teus braços… nos meus braços… nos nossos braços, surge o universo.

O nosso universo cresce, expande-se e… a vida acontece.

Já não consigo ver as estrelas… as estrelas somos nós e… brilhamos.

Lentamente o universo acalma-se e o mundo retoma a sua forma.

As ondas aquietam-se e os corpos repousam.

Envoltos nos nossos lençóis, abraçados repousamos.

Eu… sorriu e… contemplo o brilho das estrelas.

Fortunata Fialho

Quero um poema…

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

“Quero um poema…”

Quero um poema…

Quero um poema que não chore, um poema que ria.

Quero um poema que cure, um poema feliz.

Um poema doçura, um poema inocência.

Quero acordar e rir como nunca ri,

Olhar um mundo sem sombra de dor.

Quero o poema inocente dos olhos de uma criança,

Luminoso como o sol que incendeia o ar,

Pálido e romântico como o luar.

Quero o mais belo poema jamais inventado,

Quero um poema orgasmo de amor,

Brincadeira de criança que sabe voar.

Quero… viver esse poema… sonhar com ele…

Nas suas mãos ser os versos, as estrofes…

E em êxtase… calmamente… rimar.

Quero um poema amor, um poema flor.

Viver nos olhos de um leitor, no sonho de um escritor.

Quero ser palavra… quero ser verso…

Quero ser o livro de poemas idolatrado,

Durante séculos nos lábios dos enamorados.

Quero um poema eterno de paz e felicidade imensa.

Quero um poema doce… terno… quente.

Ao mesmo tempo puro… inocente.

Um poema futuro, um poema esperança.

Um poema que iguale todas as gentes.

Um poema sem cor, um poema amor.

Fortunata Fialho

Silêncio da noite. “Quero um poema…”

Silêncio da noite.

Acordo e o silêncio da noite mostra toda a sua intensidade.

Silenciosamente saio da cama e espreito pela janela do meu quarto.

As estrelas brilham e iluminam, graciosamente, o firmamento.

Uma chuva de estrelas cadentes presenteia-me com todo o seu esplendor.

Por momentos penso pedir um desejo por cada uma.

Missão impossível. São tantas e passam tão rápido que não as consigo contar.

Um sorriso ilumina o meu rosto e os meus olhos brilham intensamente.

Não tenho sono mas não faz mal, se adormecesse perderia toda esta beleza.

Ao longe o silêncio da noite, com especial fervor, faz-se escutar

Na sinfonia dos grilos violinistas, das cigarras flautistas,

Das rãs a marcarem o compasso e do vento num coro fantástico.

Tanta beleza no silêncio da noite transmite felicidade.

As horas passam e o cansaço não chega.

Não tenho sono e não estou cansada, estou maravilhada.

No silêncio da noite tudo é harmonia, tudo é felicidade.

O sol surge, timidamente, ao longe e o céu parece incendiar-se.

O dia espreita e ao som da noite junta-se a sinfonia do dia.

As estrelas escondem-se, o negro fundo da noite torna-se azul.

Os meus olhos fecham-se, por fim o sono chegou.

Deito-me, adormeço e sonho. Sonho com o silêncio da noite.

Fortunata Fialho

Nós. “Quero um poema”

Nós.

Num mundo como o nosso em que impera o Eu,

Em que só o Eu importa e se preserva a qualquer custo,

O outro não interessa… pode simplesmente esfumar-se.

Neste mundo egoísta esquecemos que somos uns Nós.

O mundo existe por nós… para nós…

Quando o sol brilha é para todos nós… quando se põe é para todos nós.

Quando chove, quando neva, quando faz calor, quando faz frio é para todos nós.

Com o Eu nada avança, com o Nós o mundo evolui vertiginosamente.

Unidos somos força viva, sozinhos… uma gota no oceano.

Nós fizemos coisas maravilhosas e cometemos atrocidades incríveis.

Nós somos o mundo… mudamos o mundo… cometemos erros e… corrigimo-los.

O Eu pensa que é o mais importante… o rei ou até Deus.

O Nós destrona-o e mostra-lhe o seu real valor…

Nós é quem realmente importa…

O Nós é pleno de poderes… melhor que qualquer herói.

Tem poderes infinitos… só temos de acreditar nele.

Eu, por mim, serei sempre um Nós…

Fortunata Fialho

Mar infinito. “Quero um poema…”

Mar infinito.

Sobre o azul cristalino do mar pousa o meu olhar.

Sentada na areia húmida e fresca, contemplo o infinito.

Onde acaba o mar e começa o céu?

Não consigo distinguir, o azul é imenso… tranquilo.

Nas ondas brilham diamantes… um manto de encantar.

Envoltas em estrelas brilhantes as ondas sucedem-se,

Descrevem coreografias elaboradas ao ritmo da força do vento.

Umas acariciam docemente a areia, beijando cada um dos seus grãos,

Outras, num arrebate apaixonado, envolvem-nas num turbilhão.

Como amantes, envoltos num tórrido abraço, rolam pela praia.

O vento, ciumento, tenta afastar as ondas.

O areal repousa húmido e quente… espera pela onda que se acerca.

Num eterno romance o mar e o areal formam um só.

Subitamente, uma sensação de humidade desperta-me.

O mar parece dizer, entra, torna-te parte de mim.

Numa provocante caricia percorre o meu corpo,

Vibro, não sei se de prazer ou de frio, e deixo-me ficar.

Pelo meu corpo correm ondas de frescura,

Fecho os olhos e cada poro do meu corpo estremece de prazer.

Como amo este mar! Como me sinto feliz!

Envolta nas suas ondas sinto-me viva… plena.

Nos seus braços deixo a realidade e transportou-me ao Olimpo.

Como uma deusa não sou mais deste mundo.

Sou uma miragem, um sonho… divina.

O mar recua e abandona o meu corpo… desperto do sonho.

Contemplo o infinito azul… sorriu e… estou feliz…

Fortunata Fialho