… E em casa…

… Um toque de campainha despertou-a em sobressalto. Tentando recuperar da letargia em que se encontrava, ajeitou o cabelo, compôs a roupa, pousou a mala e abriu a porta. Subitamente ficou sem chão, no outro lado da porta uma voz pediu “Posso entrar”. Sem articular qualquer som, a sua voz tinha-se emudecido, afastou-se deixando a entrada livre.

Que se passava com ela? Devia estar louca, permitir a entrada a um desconhecido com todos os riscos que dai podiam advir, não parecia coisa dela. Agora um desconhecido tinha entrado e olhava fixamente para si. Devia estar a viver um sonho mas recusava-se a acordar com medo de que a realidade fosse igual a todos os dias.

Sonho ou realidade pouco importava, decidiu viver esse sonho e deixar que a realidade não interferisse. Quando acordasse logo se veria.

Lentamente fechou a porta e sem desviar os olhos sorriu, pendurou-se no seu pescoço e num beijo ardente saboreou aqueles lábios. Afinal os sonhos não tinham censura e neles tudo era permitido. Sentiu-se elevada nuns braços fortes e delicados ao mesmo tempo que sentia a sua boca ser devorada.

“Quero-te tanto, estou louco de desejo”. Ela respondeu debilmente “Tenho sonhado contigo”.

Não foram necessárias mais palavras, os olhos falavam por eles.

Lentamente as suas roupas começaram a deslizar para o chão formando um tapete desordenado pela sala. Mãos suaves deslizavam pelas suas costas apertando-a com um desejo incontrolável. Com os seios livres, ardentes de desejo, deixou que os acariciasse aproveitando todas as sensações que essas carícias lhe proporcionavam. Os corpos, livres de roupas, ardiam de desejo incendiados por pura paixão…

 

Fortunata Fialho

 

 

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Imagem retirada da internet.

 

… no elevador…

… Ao acercar-se do elevador do seu prédio, alguém a esperava. Um sorriso sedutor enfeitava aquele rosto de feições delicadas possuidor de tão hipnotizante olhar, intensamente negro e profundo, que parecia ler-lhe a mente. Não sabia se devia recuar e fugir pelas escadas ou entrar no elevador e deixar que as coisas acontecessem. Não necessitou decidir, uma mão firme e quente, puxou-a suavemente para dentro do elevador. Mal as portas se fecharam uma carícia em seu rosto tornou a sua pele rubra e a respiração lenta e pesada. Um hálito quente e fresco fez-se sentir no seu rosto ao mesmo tempo que uns lábios sedentos se apoderaram da sua boca. Sem se conseguir mover entreabriu os lábios e um abraço forte e firme aprisionou-lhe o corpo na tentativa de fusão entre dois corpos até então desconhecidos. O tempo parecia ter parado, as suas pernas tremiam. Quando o elevador parou e as portas se abriram, os seus corpos permaneceram enlaçados incapazes de se separarem…

 

Fortunata Fialho

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… sonho…

… Nessa noite o sono teimou em não chegar e, quando finalmente adormeceu, o sonho chegou. Vindos do nada, uns olhos negros envolveram-na e uns lábios doces e quentes beijaram o seu rosto, os seus olhos, a sua boca e lenta e docemente desceram percorrendo o seu corpo. Flutuando em ondas de prazer o seu corpo estremecia. Que prazer intenso! Suaves mãos acariciavam o seu corpo e, lentamente, um corpo firme e quente uniu-se ao seu.

O despertador tocou e a realidade impôs-se. Fechou os olhos, queria tanto continuar a sonhar, o seu corpo queria mais. O sonho não voltou e, contrariada saiu da cama, o trabalho esperava-a…

 

Fortunata Fialho

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Um postal ilustrado antigo.