🎑💐Fado.💐”Sentidos ao Vento ( Momentos)”💐🎑

Fado,

Destino,

Tristeza,

Canto do povo, saído da alma.

Cantar o fado é sentir,

Ouvir o fado é chorar.

Fado, património mundial,

Fado, canção sofrida,

Sentimento puro vindo do coração.

Fado, destino fatal,

Incontornável e inevitável.

Fado de um povo que sofre

Fado daquele que chora.

Fado dos não amados,

Fado dos eternos perdidos.

Fado dos corações destroçados,

De vidas desfeitas,

Fado dos que perecem.

Enfim… FADO.

 

Fortunata Fialho

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Crianças.

Olhos brilhantes,

Sorrisos marotos.

Risos genuínos,

Amuos constantes.

E as Birrinhas?

Formas de protesto na sua ingenuidade.

Lábios estendidos em beicinhos fofos.

Beijos molhados,

Abraços apertados,

Grandes chi-corações.

Olhos atentos,

Descobrindo o mundo.

Ávidos de novidades e de carinhos.

Chamamentos doces,

Pedindo miminhos.

Basta um sorriso nosso e os olhitos brilham,

Surgem as gargalhadas.

Finalmente o sono e dormem calmamente,

O sono dos inocentes.

 

Fortunata Fialho

em: capa-2953x2008

Invisível.

Como eu gostava de ser invisível!

Poder fazer o que quero, sem dar nas vistas,

Passar despercebida aos imbecis,

Descobrir as reais intenções das pessoas,

Não ter de me importar com o meu visual

E, sobretudo, fugir dos problemáticos.

Poder dar conselhos parecendo a consciência

Dos Próprios.

Há quem só assim os aceite.

Talvez assim conseguisse resolver alguns

Problemas,

Do país e, quem sabe, da humanidade.

É obvio que estou sonhando,

Não tenho a pretensão de ser Deus.

Nem que os meus conselhos sejam sempre bons.

No entanto, seria curioso tentar e ver os

Resultados.

Não sou de dar ordens mas,

Um bom conselho sim.

Não sou invisível e não posso forçar ninguém a

Agir de forma diferente.

Só gostaria de contribuir para melhorar este

Mundo louco.

 

Fortunata Fialho em

capa-2953x2008

Solidão

O pior não é estar simplesmente só.

Pior é pertencer a uma família e… estar só.

Ter pessoas em casa e … estar só.

Pedir ajuda e … ninguém escutar.

Precisar de um abraço e ninguém o dar.

Tentar a aproximação e ser afastada.

Caminhar na multidão e ser invisível.

Gritar e ninguém dar por isso.

Ser agredida e as pessoas desviarem o olhar.

Cumprimentar e ninguém retribuir.

Mas…

Solidão também é:

Fecharmo-nos em nós próprios.

Não querer ouvir quem nos incentiva.

Pensar que o mundo está contra nós.

Chorar, escondida, para ninguém perceber.

Sorrir sem vontade.

É urgente acabar com toda a solidão!

 

Fortunata Fialho em:

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Nuvens.

Olho o horizonte,

Deparo-me com um céu nublado.

O silêncio cerca-me,

Concentro-me nas nuvens.

Deparo com um mundo de sonho.

Sob o meu olhar desfilam

Paisagens, animais,…

Continuo a sonhar,

Animais fantásticos divertem-se,

Campos florescem,

Surgem montanhas,

Riachos límpidos e silenciosos…

As aves voam e percorrem os dois mundos:

O real e o sonhado.

Seria tão bom que pudessem falar!

Talvez eles conheçam esse mundo!

Talvez me digam que também é real.

Quem me dera ter asas e voar!

Levantar voo e partir para o mundo Nuvem.

Conhecer novas criaturas e novos horizontes.

Talvez desse mundo possa sonhar outro.

O facto de ser a preto e branco

Pode significar que todas as criaturas são iguais

Que não há racismo

Nem qualquer separatismo.

Quem sabe se não existe pobreza?

Quem sabe se não é um mundo muito mais feliz?

De repente o sol brilha,

As nuvens dissipam-se,

A realidade chama-me:

Acorda sonhadora.

Acordo e penso:

Porque sonharei tanto?

 

Fortunata Fialho em:

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Azul

Imenso azul.
Azul que acalma, azul que delicia.
Azul do céu, azul do mar.
Como eu gosto do azul!
Se pudesse viveria envolta em azul,
Com sonhos azuis e desejos azuis.
No azul sinto-me calma e feliz.
No azul não tenho problemas, medos,
Ansiedades; nada me perturba.
No azul sou eu e só eu,
Sem influências exteriores.
Quero um mundo só meu. Azul.
Nos mais lindos tons
Jamais vistos pelo ser humano.
Campos intermináveis, azuis.
Riachos frescos e azuis.
Peixes lindos em tons brilhantes de azul.
Até eu não me importava de ser,
Azul-turquesa.

 

Fortunata Fialho

 

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Évora

Évora, cidade museu, património mundial.

Cidade que adotei como minha.

Por todas as suas ruas transpira história.

Cidade antiga, calma e acolhedora.

Aqui sinto-me bem,

Posso passear pelas suas ruas e pensar,

Sem o ruido das grandes cidades.

Posso olhar os seus monumentos,

Sentir-me parte da sua história.

Quase que podemos ver gentes antigas,

Passeando com seus trajes,

Vivendo ao ritmo lento de outros tempos.

Évora, cidade onde o antigo e o moderno se

Unem,

Sem entrarem em conflito,

Sem parecerem desajustados.

Cidade despoluída, em constante evolução.

Cidade dos meus filhos.

Cidade onde estudei, casei e vivo.

Onde me sinto feliz e gosto de passear.

Nas suas ruelas vive-se e sonha-se,

Reflete-se e fazem-se planos,

Podemos transportar-nos para outra época,

Pensar como a vida era calma

Sem stresse,

Sem a loucura do dia-a-dia,

Sem a correria que caracteriza a vida

Contemporânea.

Cidade linda cheia de magia.

Cidade mãe que acolhe todos no seu regaço.

Évora… minha cidade.

 

Fortunata Fialho em:

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Pedofilia

No noticiário de hoje falaram em mais um caso
De pedofilia.
Cada vez que ouço este tipo de notícias fico em
Choque.
Como é possível magoar uma criança?
Como é possível roubar a sua inocência?
Que animais podem servir-se de um inocente
Para seu proveito sexual?
Como podem usar, descartar e vender crianças
Como se fossem gado?
Que perversão é esta em que não se respeita o
Que de mais valioso temos?
Como proteger as nossas crianças?
Como preservar a sua inocência?
Quando os pesadelos vêm, nós garantimos que os
Monstros não existem.
Será que não?
Quantos monstros nos cercam à espera de
Atacar?
De destruir o mundo perfeito que queremos
Criar para os nossos filhos?
Afinal existem monstros e por vezes coabitam
Connosco!
Como detetar e evitar a sua presença?
Como proteger quem não se sabe defender?
Tenho medo.
Medo pelas inocentes crianças,
Medo pelo futuro dos nossos anjinhos,
Medo de não poderem ser crianças felizes,
Alegres,
Crianças inocentes que acreditem nos contos de
Fadas,
Nos príncipes e princesas encantadas.
Que o bem vence sempre o mal,
Seja a regra que os proteja e acompanhe.
Desejo que as crianças sejam simplesmente
Crianças,
Bem longe da maldade que nos cerca.
Deixem as crianças em paz.

Fortunata Fialho

em:

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Outono

Folhagem amarela espalhada pelo chão.

Árvores despidas,

Campos ceifados,

Vinhas sem uvas.

Migram as andorinhas,

O sol esconde-se entre nuvens.

As nuvens ficam com tons cinzentos,

Ameaçando chuva.

Uns dias dizem: é verão;

Outros: já é inverno.

Que devo vestir?

Que devo calçar?

Que tempo incerto!

As pessoas vivem ao sabor dos dias;

Se está sombrio, entristecem,

Se está solarengo, sorriem.

Eu hoje sou outono com vestígios de verão.

As nuvens presenteiam-nos e o sol espreita.

Hoje não chove e o calor acaricia-nos.

 

Fortunata Fialho

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Serão.

Lá fora chove.

Os filhos saíram.

A televisão trabalha e nem a ouço.

Penso,

Penso na vida e no trabalho.”

Como foi possível que o trabalho domina-se o

Meu pensamento.

O que realmente quero, é estar com quem amo.

Traçar objetivos.

Falar sobre o que se passou no nosso dia.

Desabafar infortúnios e, ajudar a afugentar os

Problemas.

O serão é aconchegante e os filhos regressam.

A chuva continua e não convida a saídas

Longas.

Surgem os desabafos, os amuos e as

Resmunguices.

No entanto, quando os problemas apertam

Procuram o colinho dos pais.

São adultos mas…

Para nós são crianças.

Os nossos filhotes.

Queremos deixá-los crescer, contudo,

Continuamos a protege-los como se fossem

eternas crianças.

É serão e chove lá fora.

Cá dentro existe muito amor e cumplicidade.

Aqui estamos protegidos, quentinhos e,

Sobretudo, unidos.

Somos uma família.

Podemos aborrecer-nos uns com os outros.

Dai a pouco estamos a brincar como se nada se

Tivesse passado.

É serão e chove torrencialmente.

Não nos apercebemos que o dia termina,

Que amanhã é dia de trabalho,

Conversamos sobre tudo e sobre nada.

De repente olhamos para o relógio.

Meu Deus é tão tarde!

Todos para a cama.

Terminou o serão!

Fortunata Fialho em:

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