Solidariedade.

Hoje, numa notícia, ouvi dizer que um multimilionário doou alguns milhares de euros a uma instituição de caridade. Todos o consideraram um mecenas e, aos olhos do povo, foi idolatrado como uma pessoa extremamente solidária. Apareceu em todos os jornais e redes sociais, na televisão e nas revistas. Foi tema de conversa em todos os cafés, instituições e até em cada esquina nas conversas de ocasião.

            Subitamente dei por mim a pensar: Será que é mais solidário quem dá milhares tendo milhões ou quem dá meio pão quando tem apenas um?

            Um pobre que nada tem para comer e, mesmo assim acrescenta um pouco de caldo e um naco de pão para oferecer uma refeição a um mendigo que lhe bateu à porta é, este sim, o ser mais solidário do mundo. Não aparece na televisão, dele não fala nenhum jornal. Deu muito pouco, no entanto deu aquilo de que necessitava para si próprio e para a família. Não possui riqueza mas é suficientemente rico para partilhar, rico de bondade e solidariedade, rico em sentimentos.

            Ninguém teve conhecimento, mas no fez mal. Ficou de coração cheio por poder ter mitigado a fome a um pobre coitado mais maltratado pela vida do que ele. Possivelmente ainda ficou com fome mas, um pouco de fome a menos a dois é menos dolorosa e bem mais suportável.

            Oferecer uma moeda quando nem a falta o seu peso se nota é muito fácil. Retirar uma dentada da sua boca para auxiliar alguém é de uma bondade extrema. Este sim, devia ser elogiado e até mesmo idolatrado,

           Infelizmente, destes não fala a história, nunca procuraram elogios, prémios ou reconhecimento. São intrinsecamente assim e nunca o fizeram por interesse.

Fortunata Fialho

Imagem retirada da net.
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Escrever…

Nestas páginas que escrevo deixo a minha alma. Escrevo o que sinto, o que desejo, o que me alegra, me entristece e me consola.

Escrevo sem medos e sem reservas.

Escrever transporta-me para um mundo só meu, um mundo sem regras, um universo muito meu onde tudo é possível e onde não existe censura, dor, tristeza… escuridão.

As letras dançam criando histórias de encantar ou de assustar… sei lá. Nas páginas surgem duendes, fadas, príncipes, princesas, ogres… homens, mulheres, crianças… animais.

Paisagens desfilam pelas páginas, riachos percorrem as linhas, mares transbordam de sonhos e realidades.

Mundos coloridos surgem como por milagre.

Sonhos e desejos são expressos em palavras simples e modestas.

Cascatas coloridas surgem envoltas em bruma e magia.

Por todo o lado as palavras dançam e traçam paisagens de encantar.Palavras feias quebram-se e reconstroem-se belas e leves como o sonho ou como o, ingénuo, balbuciar de uma criança. 

Palavra atrás de palavra constrói-se o texto sem que tenha sido pensado. Ao sabor da escrita, surge e toma as mais diversas formas. Envoltas em segredos esperam ser lidas e tomar forma na imaginação do leitor. Onde mais podemos visualizar mundos tão nossos? Onde mais a história vive do imaginário de quem a lê?

Imagens descritas por mim e visualizadas de tantas formas quanto o número de leitores. Um mundo de mundos diferentes.

Por tudo isto escrevo… brinco com palavras e… espero que sejam lidas e, por alguém, revividas. Por amar tanto as palavras quero que nunca se calem, nunca se conformem e, sobretudo, que nunca deixem de se reconstruir.

Adoro escrever… adoro ler… adoro sonhar…

Fortunata Fialho

Imagem retirada da internet

Mentira lll

(…)Envergonhada e humilhada deu entrada no hospital. A polícia chegou, era óbvio que tinha sido brutalmente espancada, e ela olhando para a figura do marido que a olhava do corredor, declarou ter tido um acidente (pouco convincente) no trajeto para casa. O medo tinha tomado posse de si e a necessária força para se libertar suprimida.

De volta a casa os dias eram vividos no terror de falhar alguma coisa e no medo das más disposições dele. As agressões continuaram e ela foi ficando um farrapo incapaz de se defender.

Engravidou e acreditou que a vinda desse filho seria a sua salvação. Com a vinda de um filho ele iria mudar e tornar-se uma pessoa melhor.

Falsa esperança, já na gravidez foi agredida e uma grande contusão tomou conta da sua barriga. A criança nasceu e, como todas as crianças, chorava de noite com fome. Um dia, perante o seu horror a criança foi agredida para se calar.

Pegou no bebé e fugiu, pediu ajuda na polícia e o esposo ficou impedido de se aproximar deles… mas em liberdade.

A criança tinha-lhe dado forças para se libertar mas a justiça pouco ajudou.

Um dia, perante o olhar incrédulo da família, dois corpos jaziam nos mosaicos da sala. Um bebé ainda de meses e, a sua mãe jaziam num mar de sangue.

Ele era seu dono e eles não podiam viver sem ser a seu lado. Tinha o direito de fazer o que quisesse e, se não eram dele, não seriam de mais ninguém.

Numa mentira infame prometeu-lhe amor e, em vez disso deu-lhe terror e morte.

( Este texto é ficção mas quantas mulheres, crianças e homens vivem vidas de terror e violência das quais não têm força para fugir e, quando o tentam perdem a própria vida?)

Fortunata Fialho

Campanha APAV – Noivas

Mentira II

(…)

De volta a casa as rotinas foram-se instalando. Quando o marido chegava era obrigatório estar em casa e de refeições confeccionadas, se falhava ele ficava rabugento e de mau humor. Não fazia mal afinal era homem e os homens são mesmo assim. Quando pensava sair com amigos(as) ele inventava sempre um pretexto para adiar.

Lentamente ficou isolada e até a própria família se tornou distante.

As refeições começaram a estar mal confecionadas, a casa com pó, as roupas mal tratadas e as receções pouco calorosas. Na sua ingenuidade não estranhou, não reparou que algo de errado se passava e não era só com ela.

O que vinha sendo anunciado aconteceu, um dia em que o jantar estava ligeiramente atrasado, uma valente bofetada surgiu. De cara marcada e lágrimas nos olhos não queria acreditar. Ele desdobrou-se em desculpas incriminatórias e prometeu que nunca mais aconteceria. Ela apaixonada acreditou e desculpou, afinal a culpa tinha sido sua deveria ter feito a comida mais cedo.

Os dias sucederam-se e a qualquer suposto erro as recriminações sucediam-se fazendo-a acreditar ser culpa sua.

Um dia em que chegou mal disposto, não interessa porquê, as Agrações sucederam-se. De corpo marcado e a necessitar de cuidados médicos, foi ao hospital, tinha caído das escadas. Novamente, ele se desdobrou em desculpas e falsas promessas de um amor imenso, ela crédula ou amedrontada não fez queixa e voltou com ele. Nos dias seguintes foram flores e beijos envolvendo-a, assim na sua teia. O trabalho corria-lhe mal e ao chegar a casa, vendo um pouco de pó na entrada, começou agredindo com palavras e, quando ela se tentou defender… uma sova.

(…)

Fortunata Fialho

imagem retirada da net.

Mentira.

Ele chegou com um brilho no olhar, um sorriso travesso e prometeu amor eterno. O namoro foi um interminável desfilar de promessas de um futuro de felicidade.

Ela apaixonou-se e amou sem medos. Sentia-se a mais sortuda das mulheres. Todas as horas eram passadas juntos num qualquer cantinho isolado.

Os encontros com os amigos tornaram-se escaços, pelo menos para ela.

Quando os amigos lhe falavam, os olhos dele adquiriam um brilho estranho e, ela não percebia. Uma desculpa qualquer forçava-a a retirar-se. Por vezes surgia uma cena de ciúmes injustificados.

Ela, iludida num amor incondicional, ouvia as desculpas e desculpava. Afinal quem ama tem ciúmes.

Infelizmente há diferentes tipos de ciúme.

De casamento marcado os preparativos sucederam-se e uma exigência surgiu. O vestido de noiva não deveria ser muito decotado, ele não gostava. Não estranhou o facto de não poder escolher livremente todas as características do seu vestido de sonho.

No altar prometeram amar, respeitar e protegerem-se até que a morte os separasse. Todos pensaram que iriam viver longos e felizes anos. Afinal todas as pessoas que se amam pensam assim e tudo fazem para que seja verdade.

A lua-de-mel foi fantástica, o local escolhido era idilicamente isolado e paradisíaco.

(…)

Fortunata Fialho

Imagem retirada da net.

Criança poema.

Um choro, ténue e desesperado, soa num quarto qualquer. Poema de vida em construção. Um abrir de olhos que apreende um mundo novo cheio de luz.

            Chora pela perda da segurança do ventre de sua mãe e, quem sabe se da dor sentida durante o seu nascimento.

            Num mundo desconhecido, inicia o seu percurso. Só… não com ajuda dos que o amam, escolhe o seu caminho. Nascer foi o início de uma, esperemos, longa caminhada.

            Pode haver poema mais belo que o riso de uma criança? Cristalino, puro, inocente, contagia todos ao seu redor. Quem nunca riu ao escutar o riso solto de uma criança? Eu nunca resisto a fazer-lhe coro. Remédio infalível que cura toda a tristeza, bálsamo que torna a vida bem mais suave e feliz.

            Envolta em sonhos onde imperam príncipes e princesas, cavalos brancos, seres mágicos… desenvolve-se. Dona de poderes imensos voa como um pássaro, nada com as sereias e corre como o vento. No seu mundo o bem vence sempre o mal, os bons são fortes e invencíveis e os maus caiem como folhas secas ao sabor do vento.

            Neste mundo mágico de histórias de encantar, cresce… escrevendo múltiplas linhas, doces e puras, no livro em branco da sua vida.

            Como eu recordo o início de vida os meus dois poemas, dos seus olhinhos brilhantes, das suas perguntas ingénuas… e até das suas maldades sem malícia. Crianças poema nascidas do amor que cresceram a escutar histórias e acreditando serem reais.

            Deambulo pelos caminhos e cruzo-me com tantos poemas em construção. Pelo ar ecoam gargalhadas e correrias sem fim. Lutas fingidas e ternuras imensas. Livros em branco com poucas páginas preenchidas, crianças poema em início de vida.

Fortunata Fialho

Imagem retirada de: PONTOS DE ERES | PONTOS DE CRIANÇAS NA UMBANDA _ YouTube

📖Ler 📖

Qual a melhor forma de passar o tempo?

Como podemos viajar sem sair do lugar?

Quando o desejo de fugir da rotina é muito, nada melhor que uma visita à estante, lá estão viagens, romance, cultura… companhia. Um livro não nos decepciona tem sempre alguma coisa a contar ou ensinar.

Tenho viajado muito pouco mas, conheço tantos lugares. Viajo pelo mundo nas páginas de um bom livro, ou revista, de reportagens sobre qualquer lugar. Para onde vou a minha capacidade linguística não me incapacita, viajo em português. A comida não é problema, como com os olhos. Não dizem que os olhos também comem? Então acreditem é assim que me alimento nas minhas tranquilas viagens e ainda nunca adoeci.

Enquanto alguns se dedicam a saber da vida alheia, eu também o faço. Abro um livro com um bom romance e desfrutou das vidas nele, contidas. E como eu gosto de viver as suas histórias! Choro de emoção, rio de alegria e, por vezes até me apetece participar nas suas conversas.

Nas minhas estantes encontram-se mundos tão diversos mas muito emocionantes. Ajudam-me a passar o tempo e ainda me presenteiam com conhecimento e inspiração.

Como eu adoro ler!

Fortunata Fialho

📝 Escrever… 📝

escreversonhar

Nestas páginas que escrevo deixo a minha alma. Escrevo o que sinto, o que desejo, o que me alegra, me entristece e me consola.

Escrevo sem medos e sem reservas.

Escrever transporta-me para um mundo só meu, um mundo sem regras, um universo muito meu onde tudo é possível e onde não existe censura, dor, tristeza… escuridão.

As letras dançam criando histórias de encantar ou de assustar… sei lá. Nas páginas surgem duendes, fadas, príncipes, princesas, ogres… homens, mulheres, crianças… animais.

Paisagens desfilam pelas páginas, riachos percorrem as linhas, mares transbordam de sonhos e realidades.

Mundos coloridos surgem como por milagre.

Sonhos e desejos são expressos em palavras simples e modestas.

Cascatas coloridas surgem envoltas em bruma e magia.

Por todo o lado as palavras dançam e traçam paisagens de encantar.

Palavras feias quebram-se e reconstroem-se belas e leves como o sonho ou como o, ingénuo, balbuciar de uma criança.

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😢 Mãe! 😢

Depois de muito tempo de sofrimento, mesmo sabendo que as coisas só poderiam piorar, uma nova entrada no hospital. Num hospital completamente lotado só teve lugar de internamento num miserável corredor, onde ficou a aguardar cama disponível.

Perante o meu olhar de preocupação e para me confortar, disse-me:

– Não te preocupes, ainda cá vou estar muito tempo. Vais ver, ainda vou criar os outros netos.

Procurando forças onde já não existiam, voltei a fingir que acreditava e enfeitei o rosto com um fingido sorriso de otimismo. Ultimamente tinha fingido tanto e dito tantas mentiras de incentivo! Nunca pensei que fosse tão fácil mentir por amor!

No dia seguinte não fui à primeira visita pois, muita da família iria estar presente e ela estava muito fraca. Na hora de visita seguinte, eu e meu esposo, pegámos nos nossos filhos e fomos vê-la. Ao acercar-mo-nos da cama, infelizmente ainda no corredor, uma máquina apitava loucamente e o pessoal clínico corria em volta da mesma. Sem eu perceber porquê, uma dor imensa invadiu o meu peito, e fiquei observando imóvel, nenhum se movia.

Sem qualquer sensibilidade um dos médicos olhou para nós e disse para nos retirarmos que aquilo não era nenhum espetáculo e, o meu esposo indignado só conseguiu dizer que era a minha mãe.

Já não acordou, o seu sofrimento tinha chegado ao fim.

Alguém, para me consolar, disse qualquer coisa como: foi a vontade de Deus.

Fraco consolo. Que Deus é este que permitiu que eu levasse os meus filhos, tão novos, a assistir á morte da avó que tanto amavam? Que Deus é este que permite a alguém terminar os seus dias num corredor de hospital? Que Deus é este que me levou a minha mãe ainda tão jovem?

Que dor… é imensa e… não passa.

 

Fortunata Fialho.

 

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Imagem retirada da internet.

👶Conversa inocente.👫

– Olá, na minha rua vive um senhor da mesma cor que tu.

– Deve ser teu amigo e cumprimentar-te quando te vê.

– Sim é muito simpático mas as pessoas costumam afastar-se dele. Olham de uma forma esquisita e, às vezes, chamam-lhe homem mau. Tu és um homem mau?

– Não, sou como o teu papá e gosto muito de crianças simpáticas como tu.

– Mas tu és preto e o meu papá é branco!

– Sim, tens razão. A minha cor é diferente mas o meu coração é da mesma cor que o do teu papá.

– Então deves ser uma pessoa mesmo muito boa. Eu tenho o melhor papá do mundo.

– As minhas filhas também gostam muito de mim, eu dou-lhes muitos miminhos e ensino-lhes a respeitarem e tratarem bem todas as pessoas. Como vez sou como o teu papá, só que mais escuro.

– As tuas filhas também são pretas? Os seus corações também são da mesma cor do meu?

-Sim são pretas e têm um coração como o teu, são simpáticas e boazinhas como tu mas, por vezes também fazem tropelias e eu tenho de ralhar um pouco.

– Ui! Quando sou mau o pai zanga-se e fico de castigo. Sabes, eu não quero ser mau mas é tão difícil ser sempre bonzinho. Tu nunca foste mau?

– Sim, todos podemos ser maus mesmo sem querermos.

– E depois ficas de castigo. Verdade?

– Sabes os meus papás já não me castigam mas, quando vejo o que fiz ou disse, fico muito triste comigo, peço desculpa e prometo tentar ser melhor.

– Sabes? Gosto muito de ti. Agora vou senão os meus papás zangam-se. Adeus.

Olhando o petiz um sorriso ilumina o seu rosto e pensa: Porque não podemos ser todos puros como esta criança?

 

Fortunata Fialho.

 

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Imagem retirada da internet