“Simplesmente… Histórias”

Queridos filhos:

Quero que saibam que não há nada na vida dos pais que supere o nascimento de um filho. O milagre de uma vida nova por nós criada (milagre que nós conseguimos duas vezes). O êxtase da criação de seres tão perfeitos.

A nossa vida passa a depender da vossa. Tudo o que fazemos, a partir desse momento, é para o vosso bem-estar físico e mental.

A vossa infância foi o sonho de todos os pais. Lembro os sorrisos, os choros, as dores, os sustos e a magia com que descobriam a vida.

Todos os pais gostariam que os filhos nunca crescessem e nós não somos a exceção. No entanto, vocês crescem, e crescem sem que o possamos impedir. E vocês cresceram.

Hoje são adultos e aquilo que mais desejo é ter-vos dado a melhor educação possível. Espero ter-lhes incutido o sentido da justiça, da integridade, do respeito e da tolerância. Espero que tenha conseguido ensinar-vos a amar e a respeitar o próximo sem olharem a credos, raças nem saldos bancários. Não se esqueçam que, por vezes, dentro de um embrulho de sonho se encontra o mais dececionante presente.

Tudo o que desejo é, que sejam autónomos, leais e humanos.

Peço que nunca deixem que vos tratem como inferiores e vos humilhem.

Nunca esqueçam: para subir não precisamos de derrubar e pisar os outros.

O respeito conquista-se com o respeito e a dignidade. Façam sempre o vosso melhor sem se preocuparem com o que os outros possam pensar. Mantenham a vossa consciência tranquila, lembrem-se que vão passar a vida com ela. Respeitem para serem respeitados.

Se um dia tiverem filhos nunca se esqueçam que, a melhor educação se baseia nos bons exemplos, os filhos não são propriedade, que devem criar pessoas integras, bem formadas, reais e autónomas. Respeitem as suas individualidades e não os tentem moldar à vossa imagem. Ensinem-lhes a ser eles próprios mas a respeitarem tudo e todos os que os rodeiem.

Espero que os ensinem, como eu tanto tentei, a não olhar de forma preconceituosa para o que os rodeia. Sejam críticos e aprendam a aproveitar as coisas boas e simples que a vida lhes vai oferecer. Ajudem-nos a perseguir os seus sonhos. Amparem-nos quando precisarem. Ajudem-nos a erguerem-se se, de alguma forma, caírem. Sejam o seu ombro amigo e, nunca mas mesmo nunca, lhes virem as costas.

Se for necessário ralhem, castiguem mas, sobre tudo tentem conversar. Se um dia tiverem que dizer algo que os magoe, não hesitem, se for para o seu bem.

Façam o vosso melhor e um dia eles compreenderão.

Queridos filhos se errei não foi por mal, a intenção foi sempre a melhor, sempre quis o vosso bem.

Procurem não repetir os meus erros e aceitem os vossos pois, certamente, os cometerão.

Desta mãe que os ama acima de tudo e que estará sempre ao vosso lado:

Assinado:

Aquela que vos ama incondicionalmente:

Mãe

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Sentei-me ao computador com uma enorme vontade de escrever. Surpresa! Perdi a inspiração.

E agora? Que faço com esta vontade?

Olho em volta e nada me inspira.

 Que monotonia está tudo na mesma.

Olho pela janela e o sol brilha. Há tanto tempo que andava desaparecido. Percorro o espaço exterior com os olhos.

Vejo lindas flores nos meus canteiros, todos os dias aparecem mais algumas.

O meu quintal resplandece de cor e de alegria. Os pássaros chilreiam nas árvores. Não consigo descobrir nenhum ninho, talvez ainda seja cedo.

Vistosas joaninhas passeiam-se sobre as flores comendo o piolho das plantas. Uma borboleta esvoaça em redor da minha janela. Deve de estar a exibir o seu belo colorido, e que colorido! Recuso-me a pensar que anda a depositar os seus ovos nas minhas plantas. As lagartas vão banquetear-se e eu vou ficar muito aborrecida.

No canil as cadelinhas estão estendidas a apanhar todo o sol que podem, nem me ligam. Eu bem me esforço mas elas ignoram-me.

Tantas abelhas no meu quintal! Será que não me vão picar? Talvez deva ter cuidado e deixá-las andar à vontade.

Levanto o olhar e surge um céu tão azul que encandeia. Nenhuma nuvem o mancha.

De vez em quando, passam alguns pássaros voando e chilreando.

Contínuo sem inspiração. Não sei por onde começar. Talvez seja melhor desistir, fechar o computador e esperar por melhor ocasião.

Vou esperar pela minha inspiração. Talvez ela se digne voltar.

Se voltar posso escrever mais uma história daquelas que tanto gosto tenho em contar.

Fortunata Fialho

Saudade. “Simplesmente… Histórias”

Saudade, palavra que só o nosso povo entende, sentimento tão nosso, dor que dói sem saber onde. Quem ainda não a sentiu não consegue compreender.

Sentido de perda total, desespero por não a conseguir superar.

Hoje acordei com tantas saudades. Saudades daqueles que amo e já não tenho comigo. Saudades do tempo já vivido. Saudades de tantos bons momentos. Tantas saudades…

Como posso sentir tanta saudade?

Porque não consigo superar este sentimento?

Queria conversar com minha mãe, colocar-lhe todas as minhas incertezas e ouvir a sua opinião. Contar-lhe todas as novidades e desafiá-la na sua ideia de educação.

Somos tão diferentes mas, ao mesmo tempo, tão iguais. Ambas daríamos a própria vida pelos nossos filhos. Ambas colocamos a família à frente de tudo. Ambas amamos incondicionalmente.

Nunca mais esqueço o dia em que tinha acabado de entrar, em minha casa, e perguntou por nós. Quando soube que eu e o meu filho estávamos a tomar banho juntos disse:

“- Isto aqui já é uma democracia!”

A sua indignação foi notória, não era esse o tipo de educação que ela achava correto.

Sempre me foi mais fácil falar com o meu pai, mas esse ainda tenho comigo, com a minha mãe, devido à sua visão muito particular, era mais difícil criar um diálogo.

Por incrível que pareça, possuía um humor bastante característico com uma subtileza incrível, que não passava despercebido e nos atingia de uma forma acutilante.

Tenho tantas saudades… as lágrimas percorrem o meu rosto.

 Limpo, apressadamente, as lágrimas.

Não posso continuar assim.

Vou fingir que falo com ela. Vou ouvir as suas respostas, no meu coração, e vou sentir a sua presença.

Tenho tantas saudades tuas, minha mãe!

Tenho saudades de tanta gente…

Queria ter comigo o irmão que perdi tão precocemente e que a vida me negou de forma tão cruel. Como pôde roubar-mo? Tinha tanto para lhe ensinar, tanto para brincarmos tanto para partilharmos., nunca pude correr nem brincar com ele. Crescermos juntos e juntos, percorrermos o sinuoso caminho que é a vida.

Como teria sido tão bom ter um irmão da minha idade.

 Porque será que o tive de perder antes ainda de o poder desfrutar?

Quero o meu irmão de volta.

Quero parte da vida que não vivi.

Os dois teríamos estragado, duplamente, a reguila da mais nova com mimos. Talvez tivesse sido pior, ou não. Talvez devesse ser assim.

Preciso dos meus avós para me estragarem com mimos, para me dizerem o quanto eu sou o seu orgulho, para dizerem todos aqueles elogios que só os avós sabem dar.

Preciso de tantos entes queridos que já não estão presentes…

Quero matar saudades dos bons momentos que vivi.

Quero reviver felicidades antigas não esquecendo as atuais.

Quero tanta coisa que não posso ter…

Quero… não, queria, pois o passado nunca voltará a ser presente.

O passado será sempre passado e deixará sempre esta saudade.

Tanta saudade, no meu peito.

Tanta saudade…

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Ultimamente tenho visto ódio, destruição, indiferença e maldade.

Pessoas a usarem o meu nome para manipular, segregar, inferiorizar, …

Nunca mandei olhar a cores, sexos ou contas bancárias.

Não mandei castrar, matar ou humilhar.

Em que nome abusam e violam mulheres e crianças? Em meu não de certeza.

Porque abandonam os idosos e os indefesos?

Estão a matar rápida e impiedosamente o planeta … esquecem que morrerão com ele.

Parem … amem e protejam. Respeitem e ajudem.

Obtenham orgasmos físicos e intelectuais. Vivam com prazer e no prazer.

Não esqueçam: os orgasmos são bem melhores quando partilhados.

Amem… Amem a natureza, o próximo e, sobretudo, a vós próprios.

Obtenham o máximo de prazer … proporcionem o máximo de prazer.

Todo o filho deverá surgir do amor e êxtase … foi assim que vos concebi.

Como todo o pai só quero a vossa felicidade.

Sejam felizes e façam feliz, toda a humanidade.

Não esperem que alguém comece, comecem vocês primeiro, terão sempre seguidores.

Protejam o planeta e curem as suas chagas. Protejam a vida.

Se alguém vos quiser incutir ódio, ensinar a magoar, humilhar,…

Nunca, mas mesmo nunca, acreditem que é em meu nome.

Eu sou amor, vocês são amor. Amem e sejam felizes.

Fortunata Fialho

História do R. “Simplesmente… Histórias”

Realmente… quem se lembraria de uma coisas destas, e logo a mim que gosto de frases curtas.

                Revolvo o meu vocabulário e procuro. Rio e começo a escrever. Realmente não estava à espera de um desafio deste género.

                Relembro o meu tempo de infância e os trocadilhos de palavras que fazíamos. Realmente desistir não é opção.

                Resolvi contar uma história, a história do R.

                Redonda cabeça, pernas esguias o R avança altivo e confiante. Recorda as suas andanças e segue, placidamente, o seu caminho. Raramente falha um compromisso e ama incondicionalmente todas as letras do alfabeto.

Reza para não se encontrar com o Z pois este rezingão estraga-lhe sempre o dia. Revisita o A que tanto ama, afinal foi a primeira letra que conheceu intimamente, nenhuma outra lhe voltou a despertar tanta paixão. Realmente as mães são sempre o nosso primeiro grande amor.

                Revive o seu tórrido romance com o B e pensa em como seria se tivesse dado certo. Raridades teriam sido os seus filhos, seriam as mais belas letras do alfabeto. Realmente, todos os pais sabem que os seus rebentos são os mais… tudo.

Respinga mas nunca ponhas em dúvida este facto.

                Revê o seu trabalho e enfrenta o patrão. Rabugento, este, tudo questiona e nunca parece satisfeito. Resolve não fazer caso e, confiante, termina um relatório.

                Regressa a casa e, pelo caminho rumina tudo o que de desagradável lhe aconteceu.

                Reencontra a esperança que o alimenta e sonha com o seu relacionamento duradouro e repleto de tórrido romance. Roda a chave na fechadura e, de dentro de casa, um odor inebriante envolve-o. Reduzidamente vestida, a sua esposa espera-o e, docemente beija-lhe o sorriso radiante. Realmente o L foi a melhor coisa que lhe podia ter acontecido.

                Realizado, amado e apaixonado vive uma vida de sonho.

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Nostalgicamente ouço a chuva cair, lenta e incessante cobre tudo á minha volta. O sol retirou-se e as nuvens cinzentas tapam toda a alegria dos seus raios. Cá dentro impera o silêncio, tal como o dia os nossos semblantes estão taciturnos. Faz falta um raio de sol para iluminar os nossos rostos.

Como é possível que a chuva nos consiga deprimir tanto?

Enrolados numa manta falamos de trivialidades, do tempo, da vida, do futuro… no estado da vida em geral. Fazemos planos e confrontamos os nossos sonhos. Tantos sonhos ainda não realizados… não faz mal, ainda temos muito tempo.

Chove lá fora e aconchegamo-nos um ao outro, tanta cumplicidade, tanta ternura…

Que foi? Porque me olhas assim?

Já não posso?

Que bom. Ainda nos olhamos com prazer apesar de terem passado todos estes anos. Uma vida em comum que não trocaria por nada deste mundo. Tantos amigos com casamentos desfeitos e o nosso tem sobrevivido com carinho, amor e muita cumplicidade. Não somos prefeitos, mas temos sido perfeitos um para o outro. Tanta perfeição no meio de todas as nossas imperfeições. Imperfeitos mas felizes.

Chove lá fora, as beiras correm e a noite é escura e triste. Aqui, no aconchego do lar, somos um só. Falamos sem palavras, comunicamos pelo toque. Aconchegando-nos no quentinho falamos baixinho, comentamos trivialidades. Trivialidades tão importantes para nós.

Que se lixem as coisas importantes, a vida é feita de coisas pequenas e triviais que se transformam em pequenos grandes sucessos, nos nossos sucessos.

Continua a chover e é tão bom este silêncio. Não há lua mas as estrelas brilham no nosso olhar. Apago as luzes, na televisão passa um filme antigo, um filme muito bom por sinal. O tempo passa… adormeceu… não me vou mover, vou deixar que durma encostado ao meu ombro. É tão bom velar o seu sono. Aconchega-se melhor… parece sonhar, no seu rosto desenha-se um sorriso, deve ser um bom sonho… não o vou perturbar.

As horas passam e a chuva não se cansa de cair. O filme termina e eu não me novo, não quero interromper o seu sono. Penso na sorte que temos em nos termos um ao outro. Por vezes discordamos e até nos desentendemos mas nunca por muito tempo. São mangas breves passageiras. Quem não se zanga de vez em quando? Não somos diferentes de ninguém… não somos iguais a ninguém.

Irra que chuva chata, não para nem por nada. Espero que amanhã faça sol, nem que seja por breves momentos, o sol faz-me tanta falta…

Acordou.

Amor vamos para a cama?

Fortunata Fialho

Rir “Simplesmente…Histórias”

Rirmos juntas foi tão bom… rir de felicidade… rir de verdade.

Sim ri, e em casa todos ouviram e riram também. Rimos… que bom!

Quero rir sempre assim, hoje… amanhã… sempre… rir, sim só rir…

Quero secar meus olhos, fechar esta cascata, triste e sombria.

Tenho que sorrir, deixar o sol entrar, secar estas lágrimas de sangue.

Quero ser feliz, quero acalmar minha dor, quero… ser feliz.

Meu Deus como quero, como tento… já consigo rir por entre as lágrimas.

Como seria bem mais fácil se pudesse ser novamente criança.

Fortunata Fialho

Insólito. “Simplesmente… Histórias”

Todos os vizinhos juntos, caso raro, mas aconteceu.

Por meio de conversas sem grande importância surgiu uma ideia mirabolante. ‘’Vamos assistir á concentração de carros’’.

Pegam nos seus veículos e, como estão a alguma distância uns dos outros, decidem encurtar a mesma. Carros a trabalhar e marcha atrás metida a loucura começa.

Como pode um grupo de homens feitos ter este tipo de comportamentos?

No meio da loucura e, em marcha acelerada, os carros recuam quase colados uns aos outros.

No meio da loucura e com medo, a namorada do meu sobrinho grita: ‘’Ai, ai… ai’’ mas rindo como uma criança!

De repente arrancam em grande velocidade. Em tão insólito cortejo a rua fica vazia, não sem que o meu esposo me faça adeus de dentro da carrinha.

Confusa e furiosa observo aquela loucura tentando absorver e compreender tamanho insólito. Observo a rua e não acredito no que vejo, o meu esposo nem se dignou dizer que se ia embora e, para minha surpresa, alinhou em toda aquela loucura… deve ter enlouquecido… só pode!

O telefone toca, o meu ou o dele, não consigo recordar-me.

– Que loucura foi essa? Como podes ter-te ido embora sem dizeres nada?

Do outro lado ele ri que nem um perdido e eu consigo visualizar o ambiente envolvente, devia ser uma videochamada!

– Qualquer dia, abalo sem te dizer nada e, quando chegar, telefono a dizer: ‘’Estou aqui, vim passear’’, a ver se tu gostas.

O riso, do outro lado aumenta assim como a minha irritação. Pronta a dizer mais qualquer coisa acordo, olho para o lado e ele dorme profundamente.

Que raios… o que uma pessoa sonha!

Fortunata Fialho

Hora do almoço, por todo o lado surgem marmitas. Só um micro-ondas complica tudo, mesmo assim tem de ser tratado com carinho… se ele avaria estamos tramados.
Forma-se fila de espera para aquecer o almoço.
Já aqueces-te? Posso?
Eu já estava à espera, por isso aguenta um pouco.
Marmitar está na moda. Um desfile de marmitas último modelo, sucede-se. Outras, como a minha (sim porque eu também marmito), parecem vindas de outros tempos.’
Que tens hoje para o almoço?
Que bem cheira a tua comidinha! Tens de me dar a receita.
Entre modelitos de conjuntos de refeição e conversas da treta o almoço vai decorrendo. Entenda-se que a conversa da treta não é depreciativa, a conversa até é interessante, os temas é que não são de grande interesse. Não poderia ser de outra forma… conversas sérias podem causar indigestão. Temas leves é o que interessa, para chatear já basta o que temos de aturar durante toda a manhã.
Entre dentadas o tempo passa, com os estômagos aconchegados os ânimos recuperam. Sim porque um estômago cheio tudo fica mais animador e menos stressante.

De estômago vazio o mundo fica sombrio e todos os demónios aparecem, pelo contrário, estômago reconfortado faz brilhar o sol e surgir o paraíso. Paraíso… paraíso, não digo, mas que tudo melhora… melhora.
Está na altura de recolher a louça suja e esconder a sua fealdade dentro das lindas, ou não, marmitas.
Aproveita-se o tempo para aferir algumas estratégias e procedem-se a alguns desabafos. O turno da tarde avizinha- se e a disposição parece estar a voltar… lentamente, que professor não é de ferro.
Encaminhando-se para as salas, de pastas a tiracolo e um sorriso no rosto, só de alguns… claro, porque outros já não conseguem, vamos para mais uma linda e estimulante aula.
Fazendo do sorriso arma de arremesso, tentamos cultivar com algum conhecimento, as mentes dos nossos alunos.
Entretanto vai chegar a hora do tão almejado descanso.
Amanhã será um novo dia e, de pasta a tiracolo e de marmita na mão começaremos mais um dia de trabalho.

Fortunata Fialho

“Simplesmente… Histórias”

Façam com as palavras aquilo que quiserem, desfaçam-nas:

Separem-nas letra a letra e joguem, brinquem, façam-nas dançar.

Criem novas palavras, palavras de amor e alegria, palavras sãs.

Jamais escrevam a dor e o sofrimento, o ódio e a intolerância.

Escrevam palavras lindas, brilhantes como o sol.

Que brotem como as mais lindas flores num prado de melodia.

Que soem, cristalinas, como o riso feliz das crianças.

Façam com as palavras o que quiserem, esgrimem-nas como adagas.

Deem golpes de frases, decepem a ignorância, disparem conhecimento.

Com um arsenal de letras disparem palavras em rajadas de linhas,

Deixem correr rios de ideias, mares de entendimento.

Derrotem mundos de ignorância, criem países de sábios,

Façam surgir impérios de puros e bons sentimentos.

Não deixem morrer as palavras, curem-nas e estimem-nas.

A sua beleza é imensa e o seu poder incalculável.

Lancem-nas no leito das páginas e misturem-nas.

Elas vão revelar poderes imensos, magias incríveis.

Surgirão histórias, livros, estantes, bibliotecas…

Conhecimentos novos, puros, imparciais e assim…

Poderemos voltar a refletir sem limites, sem tabus, sem censura.

Fortunata Fialho