💆Melancolia.💆

Melancolia.

 

Olho pela janela e, de repente, uma rajada de vento agita as árvores.

Algumas gotas de chuva caem, tímidas e quentes, levantando poeira.

Ao longe as árvores cobrem-se de mil tons amarelados,

O verde viçoso e brilhante esconde-se envergonhado.

As folhas entristecem e, numa tentativa vã de desespero, escurecem.

Onde outrora o verde era rei agora o amarelo outonal lidera.

O verde não se deixou derrotar e renasce em cada tronco de árvore,

Em cada pedrinha sombria e até no solo húmido.

Um viçoso musgo cobre de tons esverdeados os mais recônditos lugares.

A chuva cai cada vez com mais intensidade mas isso não importa.

O seu molhar ainda é ligeiramente quente e retemperador.

Afinal quem não gosta de caminhar à chuva,

Sentar-se num tronco de árvore e admirar as paisagens?

Sentir na pele o doce contacto da água, fresco e reconfortante?

Sentir o suave toque do musgo que se agiganta, cobrindo tudo em seu redor.

O vento acorda e fustiga o arvoredo soltando as pobres folhas cansadas.

Agora a chuva não é só água, é também chuva de folhas.

Ao longe avistam-se alguns troncos nus que se tentam cobrir de musgo.

Pudicamente, tentam esconder a sua nudez. Tarefa inglória…

É outono e os amarelos pintam as paisagens.

Numa infinidade de lindos tons cobrem tudo o que a vista pode alcançar.

O verde era mais belo? Não sei, o amarelo é deliciosamente tranquilo… encantador.

É outono, os troncos cobrem-se de musgo e o chão de folhas mortas.

Chove cada vez mais e o meu coração é inundado de melancolia…

Doce e terna melancolia que, mesmo assim, me faz feliz.

 

Fortunata Fialho

 

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🌠✴”Simplesmente… Histórias”✴✨

escreversonhar

Estupidez é um estado que assiste a muito boa gente que pensa que pode mandar em tudo e em todos. Por outro lado, um estúpido pode pensar de forma contrária e deixar que outros mandem na sua própria vida.

Estupidez também pode ser confundida com má educação, uma pessoa mal-educada revela uma estupidez incalculável.

Uma questão se põe: E quando nos assola uma estupidez atroz e, sem que o notemos, só fazemos asneira da grossa?

Não me considero uma pessoa mal-educada e muito menos estúpida, então porque faço tanta estupidez na minha vida?

Será que todo o ser humano tem, latente em si, uma fonte de estupidez? Será que é uma doença contagiosa que ameaça tornar-se uma epidemia ou até mesmo uma pandemia?

Evito a todo o custo ser estúpida e tento tratar as outras pessoas, e o mundo que me cerca, com respeito e consideração, então porque me acontece…

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Conforto…

escreversonhar

Conforto…

Conforto é dormir envolta no teu abraço,

Acordar ao sentir o doce contacto do teu beijo.

Manter os olhos fechados e… esperar por outro.

Sorrir… fingir dormir… formular um desejo…

Conforto é ter um teto de abrigo e… ter-te a ti.

Conforto é poder amar-te sem pensar… só sentir.

Chover lá fora e sentir o teu contacto quente e acolhedor.

Partilhar desejos… construir castelos no ar.

Fazer planos … incentivar sonhos… viver com ardor.

Conforto é estar frio lá fora, acender uma lareira,

Pegar num bom livro… ler até adormecer.

Sonhar com mundos cheios de amor e sol.

Sentir o vento no rosto e o cheiro do mar.

Conforto é tudo o que nos dê prazer e nos faça feliz.

Conforto é algo que se sente na pele, no coração e na alma.

Conforto não é ter, é sentir, sorrir e ser feliz.

Deixa-me procurá-lo nos teus braços e…

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🌈 Mundo arco-íris. 🌈

Neste mundo cinzento e sombrio onde impera o medo,

A tristeza parece uma inevitabilidade.

Este mundo arde, explode, polui, destrói…

Distribui lágrimas e sofrimento como se fossem doces.

Um grupo de crianças brinca em torno de uma flor,

Nascida entre os escombros, brilha num vermelho rubro,

Rubro de luz, não de sangue, rubro de vida.

Uma mãozinha toca-lhe ao de leve e, como por magia, outras se lhe juntam.

Subitamente cobrem todos os campos…

Um verde intenso, pincelado das mais belas cores, cobre o chão.

O mundo transpira cor e alegria e, sem dor, pare amor.

Uma gargalhada infantil e um grito inocente,

“Vejam, parece o arco-íris!”

Por todo o lado nascem sorrisos, abraços e beijos.

O fogo só aquece, os rios são cristalinos e o ar nunca foi tão puro.

E o mundo cinzento e triste, agora é um mundo arco-íris.

 

Fortunata Fialho

 

 

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Imagem retirada da internet. Desconheço o autor.

🌊 Mar infinito.🌊

Mar infinito.

 

Sobre o azul cristalino do mar pousa o meu olhar.

Sentada na areia húmida e fresca, contemplo o infinito.

Onde acaba o mar e começa o céu?

Não consigo distinguir, o azul é imenso… tranquilo.

Nas ondas brilham diamantes… um manto de encantar.

Envoltas em estrelas brilhantes as ondas sucedem-se,

Descrevem coreografias elaboradas ao ritmo da força do vento.

Umas acariciam docemente a areia, beijando cada um dos seus grãos,

Outras, num arrebate apaixonado, envolvem-nas num turbilhão.

Como amantes, envoltos num tórrido abraço, rolam pela praia.

O vento, ciumento, tenta afastar as ondas.

O areal repousa húmido e quente… espera pela onda que se acerca.

Num eterno romance o mar e o areal formam um só.

Subitamente, uma sensação de humidade desperta-me.

O mar parece dizer, entra, torna-te parte de mim.

Numa provocante carícia percorre o meu corpo,

Vibro, não sei se de prazer ou de frio, e deixo-me ficar.

Pelo meu corpo correm ondas de frescura,

Fecho os olhos e cada poro do meu corpo estremece de prazer.

Como amo este mar! Como me sinto feliz!

Envolta nas suas ondas sinto-me viva… plena.

Nos seus braços deixo a realidade e transportou-me ao Olimpo.

Como uma deusa não sou mais deste mundo.

Sou uma miragem, um sonho… divina.

O mar recua e abandona o meu corpo… desperto do sonho.

Contemplou o infinito azul… sorriu e… estou feliz…

 

 

Fortunata Fialho

 

Capa Conexões Atlânticas

😩 E partiram…😩 (Agora já têm as peças todas será que as conseguem montar?)

(…) Partiu e a vida avançou, os dias sucederam-se e a pequenina ajudava a superar a dor, ao menos ainda tinham uma filha para amar e proteger. Uma filha que desejou, todos os dias, não continuar sozinha. Queria tanto o seu irmão de volta ou, em ultimo caso, um novo irmão ou irmã, não se importava. Não queria de forma alguma ser filha única.

Numa família católica acredita-se que mais tarde todos se encontrarão no céu. Talvez seja verdade, acreditar que sim ajuda muito.

A vida não pára com o surgimento da morte, não pode parar, os sobreviventes a isso obrigam.

A pequenina cresceu e, já quase adolescente, ganhou uma nova irmã. Uma nova princesa juntou-se à família e com ela uma lufada de felicidade encheu o coração de todos.

Um bebé muito desejado, que foi “estragado” com mimos, cresceu saudável e reguila.

Novamente o sol brilhava. Brilhou durante longos anos e estes pais foram brindados com netos lindos e saudáveis. O mundo voltou a estar, quase, perfeito.

Subitamente o mundo voltou a desabar, ainda muito nova a senhora foi vitima da doença do século: cancro…

(…)

 

Fortunata Fialho

diploma MARIA FORTUNATA FIALHO-01

☹ E partiram…😩

 

(…)

Subitamente o mundo voltou a desabar, ainda muito nova a senhora foi vitima da doença do século: cancro…

Uma luta titânica e inglória foi iniciada. Uma luta que não foi capaz de vencer apesar da ajuda incondicional daqueles que a amavam. Os dias passavam e as derrotas eram maiores que as vitórias. O fingimento instalou-se, as filhas e o marido, fingiam que tudo iria correr bem, apesar de verem a inevitabilidade do fim. Ela fingia que estava melhor e que iria ainda viver muitos anos. Era um fingimento de amor. Amavam-se muito e queriam, simplesmente, aliviar o sofrimento dos outros.

Um dia tudo acabou, a vida fugiu-lhe no meio de um enorme sofrimento. Ela não merecia, aliás, ninguém merece. Toda a vida lutou pela sua família e apesar de diversas perdas, algumas mais dolorosas que outras, sempre foi um pilar… um porto seguro para todos.

A dor voltou a instalar-se, mais uma partida sem volta. Um não teve possibilidade de ajuda e a outra não houve médico e tratamento que a salasse.

A dor antiga não partiu, foi aumentando cada vez que mais alguém partia. Quando parecia que não podia ficar maior, aumentou de uma forma incomensurável.

Como se consegue sobreviver a tanto sofrimento?

Aquela menininha, agora mulher e mãe, precisa de acreditar que ambos, mãe e filho, estão juntos e felizes a olhar pelos que ainda não partiram e à espera do reencontro, lá onde os anjos habitam e todos são felizes e saudáveis. Só assim consegue sobreviver.

Pena que a sua fé não seja tanta que lhe dê a certeza de que é mesmo isso que acontecerá. Ela queria tanto acreditar… assim a dor da perda e a saudade, talvez fossem menores. No seu coração só tem uma certeza: já não os pode abraçar.

Como aconteceu com sua mãe, a vida tem de continuar. Tem, ainda, pessoas que a amam e a quem ama a precisar da sua força e proteção. Chora muitas vezes em silêncio e limpa rapidamente as lágrimas, sempre que alguém se aproxima. O seu coração e o seu cérebro gritam em uníssono:

– Partiram e nunca mais irão voltar…

 

Fortunata Fialho

diploma MARIA FORTUNATA FIALHO-01

Os professores também se abatem! — Aventar

Hoje, pela primeira vez, dir-lhe-ei algo que nunca ouviu: é elementar, meu caro Watson! Estes cadáveres que caminham são professores portugueses, digo-lho eu! Se caminham, não são cadáveres? Watson, Watson, há mais mundos, é preciso ver mais longe. Estes seres vagamente humanos e aparentemente vivos não só estão mortos como foram assassinados! É certo…

via Os professores também se abatem! — Aventar